Política

Guedes segue Bolsonaro e alega ser ‘impossível’ o Brasil ter 33 milhões de famintos

O ex-capitão já havia colocado em dúvida a extensão do drama social a se abater sobre o País

Guedes segue Bolsonaro e alega ser ‘impossível’ o Brasil ter 33 milhões de famintos
Guedes segue Bolsonaro e alega ser ‘impossível’ o Brasil ter 33 milhões de famintos
O ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente Jair Bolsonaro. Foto: Miguel Schincariol/AFP
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O ministro da Economia, Paulo Guedes, alegou nesta quarta-feira 21 ser impossível existirem 33 milhões de pessoas passando fome no Brasil. Em evento em São Paulo, ele colocou em dúvida o aumento da insegurança alimentar no País.

“O consumo dos mais frágeis está garantido com os programas de transferência de renda. Por isso, é impossível ter 33 milhões de pessoas passando fome”, afirmou o bolsonarista durante agenda da Federação da Distribuição de Veículos Automotores.

Na sequência, criticou o que considera “tática política de barulho” e emendou: “33 milhões de pessoas passando fome. É mentira, é falso. Não são esses os números”.

Publicado no início de junho, o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil já alertava: são 33,1 milhões de pessoas a passar fome no País, o mesmo nível de 30 anos atrás.

O levantamento indicou ainda que, em menos de um ano, 14 milhões entraram em situação de vulnerabilidade alimentar. 6 a cada 10 brasileiros convivem com algum grau de insegurança alimentar. 

Em julho, um relatório divulgado por agências da Organização das Nações Unidas trouxe outros detalhes preocupantes sobre a fome.

O número de pessoas no País a sofrer com insegurança alimentar moderada ou grave disparou de 37,5 milhões entre 2014 e 2016 para 61,3 milhões entre 2019 e 2021. Neste período, 15,4 milhões de brasileiros viveram sob insegurança alimentar grave. Entre 2014 e 2016, eram 3,9 milhões.

As alegações de Guedes, que não apresentou quaisquer evidências para sustentá-las, não são uma novidade no governo. No fim de agosto, o próprio presidente Jair Bolsonaro (PL) havia duvidado da gravidade do drama social a se abater sobre o Brasil.

“Hoje em dia, a extrema pobreza é quem ganha até 1,9 dólar por dia, são 10 reais. O Auxílio Brasil hoje paga 20 reais por dia, então esses 30 milhões podem buscar o Auxílio Brasil”, disse o ex-capitão em entrevista ao Pânico, da Jovem Pan. “Alguém vê alguém pedindo pão no caixa da padaria? Você não vê, pô. Até no interior… Tem gente que passa mal, sim, mas quem porventura está na linha da pobreza, passando fome, que sim, deve ter gente que passa fome… Tá na iminência aqui da própria Caixa Econômica, junto com o Ministério da Cidadania. Tem um aplicativo para o cara se cadastrar no Auxílio Brasil, sem depender de favores aí de gente do município.”

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