Greenwald: este é o pior momento possível para Bolsonaro e o melhor para Lula

O jornalista avalia o cenário eleitoral para 2022 em seu programa no canal de CartaCapital no YouTube: 'Lula está voando'

O jornalista Glenn Greenwald apresenta programa de análises no canal de CartaCapital no YouTube. Foto: Reprodução

O jornalista Glenn Greenwald apresenta programa de análises no canal de CartaCapital no YouTube. Foto: Reprodução

Glenn Greenwald,Política

“Este é o pior momento possível para Bolsonaro e o melhor possível para Lula”, avaliou o jornalista Glenn Greenwald, da redação de CartaCapital, em live nesta quarta-feira 12. Greenwald comentou a pesquisa do Instituto Datafolha que mostrou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com larga vantagem de intenção de votos contra o presidente Jair Bolsonaro em eventual 2º turno na eleição de 2022.

 

 

Para Greenwald, é preciso, primeiramente, ter cautela ao analisar as pesquisas de intenção de voto, vide os exemplos dos Estados Unidos: em 2016, diziam que Hillary Clinton venceria Donald Trump; em 2020, apontavam Joe Biden muito à frente de Trump, mas a vantagem do democrata foi estreita.

Ao mesmo tempo, o jornalista observa que os setores que votaram em Bolsonaro em 2018, mesmo sem simpatia a ele, mas por apoio a Paulo Guedes, estão percebendo o quão destrutiva é a atual gestão. A crise da Covid-19 está fora de controle, jovens famosos como Paulo Gustavo morrem pela doença, e a vacina ainda não está disponível para a maioria da população. Com a pandemia, aumentam problemas como o desemprego e a violência.

“Bolsonaro é tão incompetente, malevolente, destrutivo, que o País não pode sobreviver mais quatro anos sendo governado por esse movimento louco e por esse cara nojento”, afirmou. “O Brasil não é mais o País do futebol, alegria, praias e espiritualidade. É o País da doença, um País morto, fechado. Todos os setores estão sofrendo por causa disso e não podem aguentar mais.”

Por outro lado, “Lula está voando”, opina Greenwald. Saiu da prisão após 580 dias, teve suas condenações consideradas inválidas pelo Supremo Tribunal Federal e viu o juiz que o levou à cadeia, Sérgio Moro, ser classificado como suspeito. Agora, livre, o petista ficará muito fortalecido mesmo entre os setores que não o apoiaram em 2018, diz o jornalista.

“Qual seja a ideologia que tenham, ninguém pode questionar a competência do Lula, a estabilidade e a credibilidade que ele tem na comunidade internacional. É tudo o que está faltando no Brasil agora. É muito triste”, avalia.

 

Democratas e republicanos apoiam Israel contra Palestina

Greenwald também comentou sobre os recentes ataques de Israel contra palestinos nesta semana, desdobramentos de históricas tensões entre os dois povos. É muito difícil para os palestinos, diz ele: pelo menos 2 milhões de jovens moram na Faixa de Gaza e não podem sair. Ficam, portanto, presos, muitas vezes sem acesso a recursos básicos, como eletricidade.

O jornalista frisou que Israel não somente se alia a países governados por ditadores de extrema-direita como a Arábia Saudita e o Egito, como recebe amplo apoio dos Estados Unidos, entre membros dos partidos Democrata e Republicano.

Toda vez que há conflitos entre israelenses e palestinos, democratas e republicanos manifestam defesa a Israel, diz Greenwald. Há “facções” com muita influência entre judeus e evangélicos, públicos muito presentes entre a população americana, afirma ele.

“A maioria dos poderosos nos Estados Unidos está completamente unida em apoio a Israel”, afirmou.

Assista, a seguir, à transmissão na íntegra.

 

Responda nossa pesquisa e nos ajude a entender o que nossos leitores esperam de CartaCapital

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Compartilhar postagem