Política

Governo mantém bolsonarista que fez postagem contra Lula na Superintendência da Saúde em SE

Tiago Rangel foi nomeado para o cargo por Bolsonaro em 2021; aliados do petista criticaram a indicação, que mira apoio do PP no Congresso

Tiago Rangel foi indicado pelo senador Laércio Oliveira, do PP (à esquerda). Reprodução/Facebook
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O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu manter o bolsonarista Tiago Rangel no comando da Superintendência Regional do Ministério da Saúde em Sergipe. A nomeação, parte da estratégia para a construção da base governista no Congresso, desagradou aliados do petista, que se dizem “traídos”.

Rangel foi indicado ao cargo pelo senador Laércio Oliveira (PP), de quem foi assessor, mas contou com a costura do senador Alessandro Vieira (PSDB), que coordena a bancada sergipana.

O bolsonarista foi nomeado para o posto pela primeira vez em junho de 2021 por Bolsonaro. Desde então, ele é conhecido por publicações nas redes sociais com críticas a Lula e à gestão da ex-presidenta Dilma Rousseff e com teor negacionista à eficácia das vacinas contra a covid-19.

A indicação de Rangel foi articulada em meio ao diálogo conduzido por interlocutores da ala política com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), e parlamentares da sigla simpáticos ao governo. O principal apetite dos caciques da legenda é na cúpula de órgãos que possuem orçamentos robustos, a exemplo da Codevasf e do Dnocs.

Procurado pela reportagem, Tiago Rangel ainda não se manifestou.

O senador Alessandro Vieira afirmou que não possui qualquer vínculo com o governo e enquanto coordenador da bancada no Congresso atua no repasse das demandas dos parlamentares.

Já o senador Laércio Oliveira ainda não respondeu aos contatos. O espaço segue aberto.

Como mostrou CartaCapital, o governo passou a costurar as tratativas no varejo – ou seja, individualmente – já que encontra resistências em bancadas de partido do chamado “Centrão”. A estratégia, no entanto, tem sido criticada por parlamentares, que veem lentidão do Planalto em “honrar os compromissos”.

Além disso, existem casos em que congressistas “brigam” pela indicação e, nestes casos, a articulação política do governo precisa intervir para arbitrar o conflito.

O Planalto ainda tenta atrair outros partidos ditos “independentes”, como o Podemos e o Republicanos. Interlocutores do governo avaliam que “é questão de tempo” para a legenda que abrigou o ex-procurador Deltan Dallagnol (PR) para a disputa por uma vaga na Câmara integre ao menos informalmente a base de apoio no Congresso.

Atualmente, o partido já emplacou indicados no segundo escalão do governo. É o caso de Thiago Milhim, nomeado para comandar a Secretaria Nacional de Esporte Amador, Educação, Lazer e Inclusão Social do Ministério do Esporte.

A presidente da sigla, Renata Abreu, também foi contemplada com uma diretoria do Grupo Executivo de Assistência Patronal, o Geap, que cuida dos planos de saúde dos servidores públicos.

No caso do Republicanos, o governo também enxerga possibilidade de composição ainda no primeiro semestre deste ano. A posição da legenda ligada à Igreja Universal não tem impedido que parlamentares articulem cargos regionais da estrutura do governo.

Em Pernambuco, o deputado federal Silvio Costa Filho trabalha para emplacar um aliado no comando da Codevasf. Outro influente político da sigla, o deputado federal Gustinho Ribeiro, indicará o superintendente do Dnocs em Sergipe.

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