Governo Bolsonaro pagou R$ 193 milhões antecipadamente à empresa e não comprovou o recebimento de máscaras

Apontamentos são de auditoria da CGU; Intermediária diz que entregou material

As máscaras de proteção e os desinfetantes estão esgotados em Wuhan (Foto: Makoto Lin / Gabinete da Presidência)

As máscaras de proteção e os desinfetantes estão esgotados em Wuhan (Foto: Makoto Lin / Gabinete da Presidência)

Política

O Ministro da Saúde teria pago cerca de193 milhões de reais antecipadamente a uma empresa intermediária responsável por fornecer máscaras chinesas e não conseguiu comprovar o recebimento dos produtos em auditoria. 

As informações constam em um relatório de autoria da Controladoria-Geral da União. A apuração é do jornal Folha de S. Paulo. 

Segundo contrato de compra, as máscaras foram adquiridas em abril de 2020, durante a fase mais crítica da Covid-19 no mundo.

A compra envolveu 200 milhões de unidades de máscaras cirúrgicas e 40 milhões de máscaras KN95. Cada um dos dois lotes custou o mesmo valor, 345,85 milhões de reais.

As máscaras KN95 compradas eram impróprias a profissionais de saúde e o material acabou estocado e destinado a outros fins, que não os hospitalares. 

Cada máscara imprópria custou R$ 8,65 aos cofres públicos. No mesmo momento da pandemia, o Ministério da Saúde pagou R$ 3,59 por máscara do tipo PFF2, comprada diretamente da fabricante 3M do Brasil.

Este é o mesmo documento de auditoria que apontou a ausência de comprovação de recebimento de quase 5 mil respiradores, que custaram cerca de 272 milhões de reais ao governo Jair Bolsonaro. 

A entrega dos respiradores era de responsabilidade de empresa se logística VTCLog, empresa investigada pela CPI da Covid no Senado. 

Ambos os contratos foram assinados por Roberto Ferreira Dias, então diretor do Departamento de Logística em Saúde, demitido pós revelações de supostas cobranças de propina para a compra de vacinas contra a Covid-19. 

Na auditoria da CGU, ao menos outros 15 demonstrativos contábeis não estão acompanhados de documento que confirmem o recebimento do material adquirido. 

Esse fato impediria uma conclusão sobre baixas contábeis no valor de R$ 193,4 milhões.

A CGU disse que o Ministério da Saúde não apresentou os documentos que evidenciem a regularidade de adiantamentos feitos ao fornecedor. Não foram apresentados documentos que comprovem os “efetivos recebimentos dos insumos pelo ministério”.

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Repórter do site de CartaCapital

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