Justiça

Gilmar pede a inclusão de Zema no inquérito das fake news

O ex-governador de MG publicou vídeo insinuando que o decano do STF tomaria decisões favoráveis a Dias Toffoli, também ministro, em troca de hospedagem em resort

Gilmar pede a inclusão de Zema no inquérito das fake news
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O ministro do STF Gilmar Mendes e o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema - Marcelo Camargo/Agência Brasil
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O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou uma notícia-crime pedindo a inclusão do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) no inquérito das fake news. O pedido foi encaminhado ao gabinete do também ministro do Supremo Alexandre de Moraes, relator do inquérito.

A solicitação acontece depois que Zema, pré-candidato à presidência pelo Novo, publicou um vídeo nas redes sociais com fantoches representando o próprio Gilmar e Dias Toffoli, outro ministro do Supremo.

O diálogo dos bonecos insinua que Gilmar tomaria uma decisão favorável a Toffoli em troca de hospedagem no resort Tayayá, que era de propriedade da família de Toffoli e foi comprado por empresa ligada a Daniel Vorcaro, do Banco Master.

O pedido de investigação foi noticiado inicialmente pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, e confirmado por CartaCapital. Gilmar afirma que o vídeo ataca a honra do STF e a dele como pessoa.

O Novo, partido de Zema, foi às redes sociais após a divulgação do pedido de Gilmar pela imprensa. Em uma das postagens, a legenda escreveu que a manifestação “Confirma o que Zema disse: são intocáveis”, em relação aos ministros do Supremo.

Em outra postagem, o Novo disse que o vídeo é uma mera sátira. “Num país sério, uma acusação dessas seria uma piada. Mas no Brasil dos intocáveis, as piadas viram acusações sérias”, diz o texto.

Briga antiga

O pedido de Gilmar é um novo capítulo de uma novela de disputa aberta entre o ministro e o ex-governador. Na última semana eles trocaram farpas após a publicação do relatório da CPI do Crime Organizado, que propôs o indiciamento do decano do STF, dos seus colegas de toga Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O parecer, elaborado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), acabou rejeitado.

Na segunda-feira 13, durante encontro com lideranças políticas organizado pela Associação Comercial de São Paulo, o ex-governador falou em “podridão” ao se referir ao STF e afirmou que Toffoli e Moraes deveriam ser “afastados e presos” pelas ligações com Vorcaro.

Gilmar respondeu por meio de uma publicação no X, na qual disse ser “irônico” ver Zema atacar o tribunal mesmo após ter contado com decisões da Corte para adiar o pagamento de dívidas de Minas com a União. “A contradição é latente: quando o STF profere decisões que garantem o fluxo de caixa ou suprem omissões do Legislativo local, a Corte é acessada como agente necessário ao funcionamento da máquina estatal.”

A declaração faz referência às liminares que permitiram suspender o pagamento da dívida do estado, calculada, em maio de 2025, em cerca de 165 bilhões de reais. Em fevereiro deste ano, por exemplo, o ministro Kassio Nunes Marques atendeu ao governo de Minas e suspendeu por seis meses uma ação que buscava a execução do débito pela via judicial. Isso permitiu que a gestão Zema continuasse a negociar a adesão do estado ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados.

Sem o “socorro” do STF, pontuou Gilmar, o então governador “teria enfrentado um cenário de grave desorganização fiscal, com riscos concretos à continuidade de serviços públicos essenciais”.

“Contudo, basta que a Corte contrarie interesses políticos desse grupo para que o pragmatismo jurídico dê lugar a chavões vazios de ‘ativismo judicial’ e a ataques à honra dos ministros. É a política do utilitarismo: o STF serve como escudo fiscal e contábil, mas é tratado como vilão quando decide conforme a Constituição — e não conforme a conveniência de ocasião”, completou o ministro.

A tréplica de Zema veio em entrevista ao site O Antagonista. Ao rebater as críticas, o ex-governador afirmou estar preocupado com “o modelo mental de Gilmar Mendes” e disse que o ministro expediu uma decisão favorável a Minas apenas para que ele ficasse “submisso” à Corte.

“Você pode estar acostumado a ameaçar seus amiguinhos da velha política que jogam tudo para debaixo do tapete e resolvem nas escondidas. Comigo é diferente”, alegou o pré-candidato presidencial.

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