Justiça

Gilmar Mendes diz ter sido questionado por Villas Bôas sobre ‘papel moderador’ das Forças Armadas

‘Seria a hermenêutica da baioneta? Isso não faz o menos sentido’, afirmou o ministro do STF

Gilmar Mendes diz ter sido questionado por Villas Bôas sobre ‘papel moderador’ das Forças Armadas
Gilmar Mendes diz ter sido questionado por Villas Bôas sobre ‘papel moderador’ das Forças Armadas
Eduardo Villas Bôas. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, afirmou ter sido questionado pelo general Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército, se seria correta a interpretação do artigo 142 da Constituição segundo a qual os militares funcionariam como um “Poder Moderador”.

Gilmar disse que a pergunta ocorreu em 2018, após uma entrevista com o militar para o Instituto Brasileiro de Ensino, Direito e Pesquisa. O ministro relatou o caso nesta terça-feira 14 à GloboNews.

“Ouvi do próprio general Villas Bôas, em tom de pergunta, se era correta a interpretação que o professor Ives Gandra fazia do 142. Eu disse: ‘qual interpretação’? E ele disse: ‘o professor Ives Gandra almoçou aqui na semana passada e disse que o verdadeiro árbitro em termos constitucionais, inclusive podendo arbitrar conflito entre Supremo e Congresso, somos nós, as Forças Armadas’. Eu ainda brinquei: ‘seria a hermenêutica da baioneta’? Isso não faz o menos sentido”, disse Gilmar.

Na segunda 13, o PSOL solicitou que o STF declare inconstitucionais as interpretações golpistas do artigo 142, utilizadas por bolsonaristas para pregar uma intervenção militar no Brasil.

A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental protocolada pelo partido busca atestar a ilegalidade de interpretações que:

  • caracterizem as Forças Armadas como “Poder Moderador”;
  • tentem ampliar suas atribuições para além daquelas fixadas pelo texto constitucional, especialmente sobre supostas competências para arbitrar conflitos entre Poderes;
  • permitam a ruptura total ou parcial do regime democrático;
  • viabilizem a instauração de um governo de exceção pelas Forças Armadas.

Diz o artigo 142: “As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”.

Para o PSOL, as interpretações inconstitucionais podem caracterizar, em tese, os crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e sabotagem.

Em 2020, por meio de uma decisão liminar, o ministro do STF Luiz Fux fixou que as Forças Armadas não atuam como “Poder Moderador” em eventual conflito entre Executivo, Legislativo e Judiciário. O despacho foi publicado no âmbito de um pedido apresentado pelo PDT.

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