Justiça

Gilmar dobra aposta em ofensiva contra Zema, que busca se projetar na eleição

O decano do STF ironizou o ‘português’ do pré-candidato e voltou a defender sua inclusão no Inquérito das Fake News

Gilmar dobra aposta em ofensiva contra Zema, que busca se projetar na eleição
Gilmar dobra aposta em ofensiva contra Zema, que busca se projetar na eleição
O ministro do STF Gilmar Mendes e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema. Fotos: Marcelo Camargo/Agência Brasil e Marina Ramos/Câmara dos Deputados
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Eleições 2026

O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes voltou a repreender o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) por suas críticas ao trabalho da Corte. O pré-candidato à Presidência da República, por sua vez, tem aproveitado o embate para cavar espaço na disputa eleitoral.

Em entrevista ao Jornal da Globo na noite desta quarta-feira 22, o decano do STF defendeu sua decisão de solicitar ao colega Alexandre de Moraes a inclusão de Zema no Inquérito das Fake News, em tramitação desde 2019 e alvo de reclamações por sua duração e pela falta de transparência, uma vez que praticamente todas as suas movimentações são sigilosas.

“Zema só governou Minas Gerais porque obteve liminares no Supremo que o deixaram sem pagar dívida com a União por 22 meses, e agora ele tenta sapatear, talvez se aproveitando do momento eleitoral”, disse Gilmar. Segundo ele, o presidenciável “fala uma língua próxima do português, mas que é entendida como ofensiva, e isto precisa ser aferido”.

Questionado se declarações como essa não transmitem a impressão de que se considera devedor do STF alguém que obteve uma decisão técnica, o ministro negou: “Estou só chamando a atenção para o fato de que as pessoas vêm ao tribunal, se socorrem do tribunal e depois fazem esse tipo de sapateado, o que não me parece uma postura eticamente correta.”

Em uma publicação nas redes sociais nesta quinta-feira 23, Zema reagiu a declarações similares proferidas por Gilmar em outra entrevista, desta vez à Record TV. Em tom marqueteiro, sugeriu que o problema não estaria em sua fala, mas na suposta incapacidade do ministro de compreender “o linguajar de brasileiros simples”, em contraste com o que chamou de “português esnobe dos intocáveis de Brasília”.

A investida judicial contra Zema ocorreu após o pré-candidato ao Palácio do Planalto divulgar nas redes sociais um vídeo a ironizar Gilmar e Dias Toffoli no âmbito do caso sobre o Banco Master. A gravação retratava os ministros como fantoches.

Para Gilmar, o vídeo “vilipendia” sua honra e a do STF. Zema, por outro lado, tem utilizado a ofensiva do ministro para se projetar na disputa eleitoral e conquistar o apoio de brasileiros críticos ao trabalho da Corte.

A decisão sobre investigar ou não o ex-governador cabe a Moraes, relator do Inquérito das Fake News.

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