Educação

Gabinete de Braga Netto pediu que o MEC recebesse pastor lobista, diz jornal

O general ainda teria cobrado explicações sobre o andamento das demandas de Arilton Moura, preso por suspeitas de esquema na Educação

Braga Netto e Jair Bolsonaro.
Foto: EVARISTO SA / AFP
Braga Netto e Jair Bolsonaro. Foto: EVARISTO SA / AFP
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O gabinete do ex-ministro da Casa Civil Walter Braga Netto, cotado para vice na chapa de Jair Bolsonaro (PL), intermediou por e-mail a entrada do pastor lobista Arilton Moura no Ministério da Educação. O caso foi revelado pelo jornal Folha de S. Paulo nesta sexta-feira 8.

Nas mensagens eletrônicas obtidas pelo jornal, ainda consta a cobrança do gabinete do general sobre os encaminhamentos dados pelo MEC aos pedidos apresentados pelo pastor, preso recentemente sob suspeita de liderar um esquema de propina para liberação de recursos da Educação.

O e-mail com o pedido de reunião foi disparado em 7 de janeiro e solicitava que a pasta comandada por Milton Ribeiro avaliasse a “pertinência em atender” o pastor. No texto, o gabinete do general cobrava ainda um retorno sobre as “providências adotadas por esse Ministério”.

As mensagens enviadas pelo então chefe da Casa Civil de Bolsonaro reforçam as suspeitas de que o esquema ocorreria com o aval do Palácio do Planalto, em linha com um áudio, divulgado pela Folha de S.Paulo, em que o próprio Milton Ribeiro admite priorizar os amigos de pastores a pedido do ex-capitão.

As mensagens revelam ainda parte do caminho percorrido pelos pastores antes de serem atendidos pelo MEC. É possível notar que os religiosos pediam uma audiência com Braga Netto, que encaminhou a mensagem ao MEC sob o título de “DERIVAÇÃO: Pastor Arilton Moura, Assessor do Presidente das Igrejas Evangélicas Cristo para Todos”. O presidente da instituição citada é o pastor Gilmar Santos, outro religioso preso por suspeita de liderar o esquema.

Não há, no entanto, informações suficientes para afirmar que o pastor foi de fato recebido no MEC naquele dia. Registros revelados até o momento dão conta de outros quatro encontros oficiais dos pastores no ministério em janeiro, todos após aquela data. Antes, eles já haviam sido recebidos em cinco ocasiões no MEC, incluindo o dia anterior, 6 de janeiro. Ao todo, os dois pastores estiveram 127 vezes no MEC e no FNDE desde o início do governo Bolsonaro.

Um relatório da Controladoria-Geral da União sobre o caso indica que “nenhuma pessoa ou outra autoridade esteve naquelas dependências [MEC] com a frequência do pastor Arilton”. A informação foi repassada ao órgão de controle pela chefe da assessoria de agenda do gabinete do MEC, Mychelle Braga.

Após comandar a Casa Civil, Braga Netto ainda foi ministro da Defesa de Bolsonaro e atualmente está licenciado das funções no governo por ser o principal cotado para assumir o posto de vice na chapa do ex-capitão nas eleições deste ano.

Os escândalos do MEC já são alvos de diversas investigações, inclusive um pedido de CPI no Senado, que aguarda a indicação dos integrantes para sair do papel. A intenção do comando da Casa, no entanto, é adiar as investigações para o período pós-eleições. A oposição, por sua vez, pretende ir ao Supremo Tribunal Federal para garantir o início imediato dos trabalhos. Na Corte, o caso também tramita por suspeitas de que Bolsonaro tenha interferido nas investigações ao supostamente dizer em telefonema que ‘pressentiu’ a operação de busca e apreensão contra Ribeiro.

MEC e Planalto não responderam ao jornal sobre o e-mail enviado.

Getulio Xavier

Getulio Xavier
Repórter do site de CartaCapital

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