Fundação Lemann: “Não investimos em candidaturas”

Entidade responde reportagem de CartaCapital, que ouviu diferentes opiniões sobre iniciativas de renovação política

Foto: Reprodução/Facebook

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Política

A Fundação Lemann, que leva o nome do bilionário Jorge Paulo Lemann, negou que haja investimentos em candidaturas políticas por parte da instituição, em resposta à matéria “Acredito, RenovaBR e Fundação Lemann: renovação ou infiltração?“, publicada em 30 de agosto por CartaCapital.

Na reportagem, CartaCapital questionou o presidente da Fundação Lemann, Denis Mizne, sobre a atuação política da entidade. “Segundo o presidente da instituição, Denis Mizne, são mais de 700 líderes apoiados com bolsas de pós-graduação em universidades de todo o mundo. Há dois anos, diz ele, percebeu-se que parcela deste grupo voltou ao Brasil e decidiu entrar na política, ‘o que a gente achou muito interessante, porque é um dos lugares em você pode resolver grandes problemas sociais’, comenta. Foi a partir disso que a Fundação inaugurou um programa para formar lideranças públicas, que, segundo Mizne, ajudou a desenvolver cerca de 40 pessoas”, diz a reportagem.

CartaCapital também ouviu o presidente da instituição sobre possíveis desconfianças em relação aos interesses políticos da Fundação Lemann. Em seguida, a reportagem também mostra o ponto de vista da pesquisadora Olinda Evangelista, da Universidade Federal Fluminense (UFF), que participou da pesquisa: “Quando o capital educa o educador: BNCC, Nova Escola e Fundação Lemann”.

A seguir, CartaCapital reproduz a íntegra da nota da Fundação em resposta às considerações expostas.

 

Em resposta à matéria “Acredito, RenovaBR e Fundação Lemann, renovação ou infiltração?”, publicada dia 30 de agosto de 2019, gostaríamos de esclarecer pontos importantes sobre o trabalho da Fundação Lemann, sua missão, visão e valores. Na Fundação Lemann, trabalhamos ativamente para concretizar a missão de um país mais justo e desenvolvido para todos. Para isso, buscamos contribuir para a garantia do direito à aprendizagem, com Educação Básica pública e de qualidade para todos. Também investimos no apoio ao desenvolvimento contínuo de lideranças comprometidas a trabalhar em prol do Brasil promovendo um espaço favorável ao diálogo amplo entre diferentes ideias e propostas.

Não investimos em candidatos nem em candidaturas, individuais ou coletivas. Uma pequena parte dessa rede suprapartidária de líderes apoiada pela Fundação Lemann, foi eleita no último ciclo eleitoral. São sete pessoas de um grupo com mais de 700 indivíduos que atuam nas mais diferentes áreas e que têm diversas origens, visões políticas e trajetórias. Nossa rede de apoio ao desenvolvimento de lideranças agrega desde gente que já atua na esfera pública àqueles que estão investindo conhecimento para chegar lá, do legislativo ao executivo, da academia ao terceiro setor. 

Sabemos que a construção deve ser coletiva, representativa e democrática. Somos ativos e responsáveis com o nosso lugar de contribuição, valorizando e investindo sempre na pluralidade de ideias, gênero, raça e classe social ao somar para a construção e fomento de iniciativas capazes de ajudar o Brasil a avançar. Temos como premissa fundamental a crença no diálogo amplo e democrático como base, à qual se soma também nosso compromisso com evidências para a construção de propostas concretas para os grandes desafios do país.

Um dos programas que soma às iniciativas de apoio dado ao desenvolvimento de lideranças, é a formação desenvolvida em parceria com a Raps (Rede de Ação Política pela Sustentabilidade). Trata-se de um programa técnico focado nos princípios de integridade, sustentabilidade e democracia para revigorar a gestão pública. Dos cerca de 40 candidatos apoiados, 7 se elegeram: Tabata Amaral (PDT – SP), Vinicius Poit (Novo – SP), Felipe Rigoni (PSB – ES), Tiago Mitraud (Novo – MG), Marina Helou  (REDE – SP), Duarte Jr. (PCdoB – MA) e Renan Ferreirinha (PSB – RJ) representantes de ideias à esquerda e à direita.

Em Educação Básica de qualidade e para todos, também apoiamos e participamos ativamente nos últimos anos da construção da Base Nacional Comum Curricular, em conjunto com diversas esferas da sociedade civil: acadêmicos, gestores públicos, gestores escolares e dezenas de milhares de professores. Trouxemos contribuição técnica para o debate, mobilizamos diferentes esferas profissionais da Educação para que pudessem contribuir e dialogamos coletivamente sobre o tema. Temos a certeza de que a Base não irá, sozinha, resolver o imenso desafio de garantir a aprendizagem com qualidade para todos os alunos do Brasil. Mas temos ainda mais certeza de que ela é uma política fundamental neste processo.

Não estamos imunes a críticas. Tampouco fechados ao diálogo e à transparência. Tudo o que fazemos, fazemos com dados, evidências, diálogo, construção coletiva e dezenas de parceiros. É nisso que acreditamos. E trabalhamos mirando sempre um Brasil que acredite em sua gente e, portanto, invista em seu máximo potencial. Seguimos abertos ao diálogo com a Carta Capital, seus leitores, fontes de informação e articuladores de ideias.

Obrigado,

Fundação Lemann

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