Política

Flávio Bolsonaro cita pós-graduação que jamais cursou; relembre casos semelhantes de bolsonaristas

O presidenciável do PL se une a outros que tiveram informações sobre sua formação acadêmica contestadas

Flávio Bolsonaro cita pós-graduação que jamais cursou; relembre casos semelhantes de bolsonaristas
Flávio Bolsonaro cita pós-graduação que jamais cursou; relembre casos semelhantes de bolsonaristas
Flávio Bolsonaro (PL), Damares Alves (Republicanos) e Carlos Alberto Decotelli: títulos contestados e currículos corrigidos - Jefferson Rudy/Agência Senado/Adriano Machado/Reuters/Geraldo Magela/Agência Senado
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Candidato à presidência da República pelo PL, o senador Flávio Bolsonaro atribuiu a seu currículo em páginas oficiais da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e do Senado uma pós-graduação que não cursou. A UFRJ, onde a especialização em Ciências Políticas teria sido realizada, afirma não ter registro do parlamentar como aluno.

Nesta quarta-feira, a campanha afirmou que a informação teria sido fruto de um “erro ou equívoco”. Além disso, informou em nota que a formação acadêmica de Flávio é outra: graduação em Direito pela Universidade Cândido Mendes, pós-graduação em Políticas Públicas pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro e MBA em Empreendedorismo pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

A explicação remete a uma série de episódios semelhantes envolvendo integrantes do bolsonarismo. Durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), pai do hoje postulante ao Palácio do Planalto, ministros e aliados tiveram informações sobre sua formação acadêmica contestadas e tiveram de corrigir dados publicados em currículos e perfis oficiais.

Em alguns casos, os questionamentos envolveram títulos que não haviam sido obtidos. Em outros, informações atribuídas a políticos foram justificadas como erros de assessoria ou de divulgação. Houve ainda currículos com problemas bibliográficos, como obras que não pertenciam aos autores indicados.

Em 2020, Carlos Alberto Decotelli, escolhido por Bolsonaro para comandar o Ministério da Educação, deixou o cargo antes de tomar posse após universidades contestarem informações de seu currículo. O economista apresentava um doutorado na Universidade Nacional de Rosário, na Argentina, mas o reitor da instituição afirmou que ele havia cursado créditos e tido a tese reprovada. A Universidade de Wuppertal, na Alemanha, também afirmou não ter registro compatível com o pós-doutorado que aparecia no currículo de Decotelli.

No Lattes dele também havia a informação de que Antônio Freitas, professor da FGV e presidente da Câmara de Ensino Superior do Conselho Nacional de Educação (CNE), havia sido orientador no doutorado na Universidade Nacional de Rosário. Freitas, no entanto, nunca pertenceu aos quadros dessa universidade, tampouco havia registros de sua participação em bancas de doutorado presenciais ou virtuais. Decotelli também foi acusado de plágio em sua dissertação.

Meses antes, Abraham Weintraub, que comandou o MEC antes dele, havia sido apresentado pelo próprio Bolsonaro como doutor. A titulação, porém, não aparecia no currículo Lattes nem no LinkedIn do economista. Depois da repercussão, o então presidente corrigiu publicamente a informação e passou a descrevê-lo como mestre em Administração pela FGV e portador de MBA.

Na mesma pasta, Ricardo Vélez Rodríguez, o primeiro titular da Educação no governo Bolsonaro, teve o currículo Lattes submetido a um levantamento que encontrou ao menos 22 inconsistências. Havia livros atribuídos a ele que não eram de sua autoria, registros bibliográficos fora do padrão e textos publicados em periódicos apresentados falsamente como científicos.

Em 2019, Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente e hoje candidato ao Senado pelo Novo de São Paulo, teve contestada a informação de que possuía mestrado em direito público por Yale, mas a universidade norte-americana informou que ele nunca havia estudado na instituição. A informação havia sido publicada em uma biografia que acompanhava artigo de autoria de Salles no jornal Folha de S.Paulo e posteriormente reproduzida pelo programa Roda Viva, da TV Cultura. À época, Salles atribuiu o erro à própria assessoria.

O hoje ministro do Supremo Tribunal Federal Kassio Nunes Marques também está no rol de personagens da política brasileira com currículos questionados. Indicado à Corte por Bolsonaro em 2020, o então desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região afirmara ter feito pós-doutorado em Direito Constitucional pela Universidade de Messina, na Itália, e pós-graduação na Universidade de La Coruña, na Espanha.

As duas instituições apresentaram ressalvas às qualificações. A universidade italiana informou que o curso realizado por Nunes Marques era uma especialização, equivalente a um ciclo de seminários. Na Espanha, a instituição informou que ele havia feito um curso de extensão, e não uma pós-graduação.

Também houve o caso de Damares Alves (Republicanos), atual senadora pelo Distrito Federal. Antes de assumir o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, ela se apresentava em discursos como “mestre em educação” e “em direito constitucional e direito da família”. Questionada pela imprensa, admitiu não possuir os títulos acadêmicos. A ex-ministra justificou o uso do termo “mestre” em referência ao ensino bíblico, no qual, segundo ela, a palavra seria empregada para designar pessoas dedicadas ao ensino.

Em outro episódio, o ex-juiz federal e ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel declarou em seu currículo Lattes uma passagem por Harvard. O registro indicava que ele teria feito na universidade americana parte de um doutorado em judicialização da política que cursava na Universidade Federal Fluminense.

A UFF informou, porém, que Witzel nunca havia manifestado interesse em participar da seleção para o programa internacional e que apenas dois alunos da mesma pós-graduação haviam sido enviados a Harvard. Após a repercussão, o ex-governador admitiu ter incluído indevidamente o curso no Lattes. Segundo sua assessoria, ele tinha a intenção de estudar na universidade americana durante um ano quando ainda era juiz federal, mas o projeto nunca foi realizado.

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