Carlos Decotelli diz que plágio foi distração e confirma que segue ministro

Novo chefe do Ministério da Educação teve currículo acadêmico desmentido por instituições de ensino

O presidente Jair Bolsonaro e o novo ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli. Foto: Marcos Corrêa/PR

O presidente Jair Bolsonaro e o novo ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli. Foto: Marcos Corrêa/PR

Educação

O novo ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli, negou plágio em sua dissertação de mestrado e afirmou que segue como chefe da pasta. Após escândalos por inconsistências em seu currículo, Decotelli foi chamado pelo presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto nesta segunda-feira 29 e cedeu entrevista após o encontro.

“No mestrado, a gente lê muito. São muitos livros. Minha dissertação foi feita com base na minha bagagem”, disse. “Qual foi minha dissertação de mestrado? Baseada na minha vivência no Banrisul [Banco do Estado do Rio Grande do Sul]. Quando você lê muito e escreve, tem que ter uma disciplina mental de escrever, revisar, e o que citar, tem que mencionar. Cuidado. É possível haver distração? Sim, senhora. Hoje se tem softwares para verificar se houve inconsistência.”

Ele prosseguiu afirmando que “não houve plágio”, porque “o plágio é considerado quando se faz ‘Control C, Control V‘”, em referência ao atalho em teclados de computadores, usado para fazer cópias de texto.

Decotelli afirmou ainda que Bolsonaro lhe fez questionamentos sobre seu currículo. O novo ministro já teve sua posse adiada e é alvo de representação no Tribunal de Contas da União (TCU). No entanto, ele garantiu sua permanência no comando da Educação: “Sigo ministro”, disse ele.

O anúncio de sua entrada no Ministério ocorreu na última semana, com a demissão de Abraham Weintraub. Decotelli sustentava que tinha doutorado na Argentina e pós-doutorado na Alemanha, mas as duas titulações foram desmentidas pelas próprias instituições de ensino.

Sobre seu doutorado, em que sua tese foi reprovada, Decotelli afirmou que na verdade a banca pediu “adequações” e recomendou uma reapresentação da pesquisa. Segundo ele, como o curso de seu doutorado foi custeado com seu próprio dinheiro, houve dificuldades financeiras em submeter a tese novamente para aprovação.

“O custo operacional era particular. Já com dificuldades financeiras, não mais voltei, porque houve dificuldades financeiras pessoais em bancar novamente o aperfeiçoamento e a nova submissão. Então eu fiquei com o diploma de créditos concluídos. Isto posto, a minha especialidade é professor na área de modelagens financeiras derivativas. Eu tenho quatro livros como coautor na editora Fundação Getúlio Vargas (FGV)”, afirmou.

Já sobre o pós-doutorado na Alemanha, Decotelli afirmou que estudou sobre sustentabilidade e pesquisou a produtividade de máquinas agrícolas e a agressão do meio ambiente. A Universidade de Wüppertal, no país europeu, negou que ele tenha um certificado de pós-doutor pela instituição.

“O pós-doutorado é uma estrutura que a senhora tem quanto a uma pesquisa feita. Não tem sala de aula, não tem nota em uma disciplina. É a pesquisa, a orientação. Isto posto, foi caracterizado que, na hora em que foi concluído o trabalho, tinha que ser feita a pesquisa registrada no cartório acadêmico. E no cartório acadêmico de Koln, a senhora tem lá a pesquisa completa registrada”, disse.

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