Bolsonaro anuncia indicação de Kassio Nunes ao STF

Presidente afirmou que nome do postulante será publicado no Diário Oficial da União

O presidente Jair Bolsonaro, ao lado do ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas. Foto: Reprodução

O presidente Jair Bolsonaro, ao lado do ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas. Foto: Reprodução

Política

O presidente Jair Bolsonaro anunciou que vai indicar o desembargador Kassio Nunes Marques para o Supremo Tribunal Federal (STF), no lugar do ministro Celso de Mello, que se aposenta em 13 de outubro. Em transmissão ao vivo nesta quinta-feira 1, Bolsonaro afirmou que a indicação será oficializada no Diário Oficial da União (DOU) da sexta-feira 2.

“Sai publicado amanhã, por causa da pandemia, no Diário Oficial da União, nós temos pressa nisso, o nome do Kassio Marques para a nossa primeira vaga do Supremo Tribunal Federal. Nós temos uma vaga prevista para o ano que vem. Essa segunda vaga vai ser para um evangélico. Agora, [o Kassio] tá levando tiro. Qualquer um que eu indicasse estaria levando tiro”, afirmou o presidente.

Bolsonaro reclamou que o nome de Kassio está, segundo ele, sendo desqualificado por ter liberado a compra de lagostas e vinhos na Corte em 2019. Para ser oficializado no cargo, Kassio Nunes Marques ainda precisa ser sabatinado pelo Senado.

“Vão desqualificar o desembargador só porque ele deu uma liminar para retornar o cardápio do Supremo?”, queixou-se. “Se um juiz diz que não pode lagosta, o outro pode dizer que não vale batata frita. O outro vegetariano pode acabar com carne vermelha. Isso vai de cada instituição. Não vou criticar o STF por causa disso. Se pintar lagosta, eu vou ligar para a minha esposa. Se bem que não tem nada demais comer lagosta. Qual é o problema?”, questionou.

Ao lado do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, Bolsonaro afirmou que outros nomes não foram descartados para a segunda vaga, que será aberta em 2021. O presidente citou o ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Jorge Oliveira.

“Tem um nome aí que foi muito cogitado como ‘supremável’, o nosso querido ministro André Mendonça. Não tá descartado não, André tá na fita, Jorge tá na fita. São ligados a mim constantemente. Se tem mais gente na fita, tem”, afirmou.

Em seguida, Bolsonaro voltou a declarar que privilegiará alguém “terrivelmente evangélico”, com quem tenha intimidade.

“Primeiro pré-requisito: tem que ser evangélico. Terrivelmente evangélico. Outro: tem que tomar tubaína comigo”, disse o chefe do Palácio do Planalto.

“Não adianta chegar currículo agora aqui, maravilhoso, 10 no currículo. Se eu não conhecer, eu não vou indicar. O meu compromisso é com um evangélico”, completou.

Bolsonaro aproveitou ainda para criticar os seus apoiadores que pediram o nome de Sérgio Moro para o cargo no STF.

“O ano passado todo até mais ou menos abril, vocês queriam quem pro Supremo? Vocês não queriam o Sergio Moro no Supremo? E me ameaçavam o tempo todo. Agora, você quer que eu troque o Kassio pelo Sergio Moro? A questão da amizade é muito importante”, declarou.

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