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Ferida aberta

Passados dez anos da tragédia da boate Kiss, nenhum dos responsáveis pelo incêndio foi punido

Pesadelo sem-fim. “A ausência de definição agrava a dor das vítimas”, lamenta o juiz Orlando Faccini Neto - Imagem: Sílvio Avila/AFP
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“Vou morrer”, pensou o jovem Gabriel ­Rovadoschi Barros, de 18 anos, ao percorrer um labirinto em chamas com as narinas ardendo pela fumaça tóxica. Pelo caminho, corpos desmaiados ou já sem vida serviam de obstáculo na luta pela sobrevivência. “Não queria pisar em ninguém, mas precisava sair dali. A multidão estava desesperada. Lembro de ter visto, do lado de fora, a luz de um poste de rua e me guiei por ela. Pisei de leve sobre os corpos e segui em frente. Foi assim que consegui sair”, relembra, com pesar. Barros, hoje com 28 anos, milagrosamente não sofreu nenhum arranhão ou queimadura. Tornou-se psicólogo e preside a Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria.

Era madrugada de 27 de janeiro de 2013 quando a boate Kiss ardeu em chamas. O incêndio deixou um saldo tenebroso: 242 mortos, a grande maioria na faixa dos 20 anos, e mais de 600 feridos. “Para quem não vive em Santa Maria foi apenas um fato. Para nós é uma imensa ferida que não cicatriza nunca”, resume um motorista de aplicativo do município gaúcho, com 296 mil habitantes. O 27 de janeiro deste ano caiu em uma sexta-feira, mas as casas noturnas da cidade permaneceram fechadas em luto.

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