Política

Extrema-direita se radicalizou com chegada de Bolsonaro ao poder

Eleição do ex-capitão em 2018 contribuiu para que grupos extremistas brasileiros se tornassem players com certa relevância na direita mundial

O PRESIDENTE JAIR BOLSONARO, EM SÃO PAULO, NO 7 DE SETEMBRO. FOTO: MIGUEL SCHINCARIOL/AFP
O PRESIDENTE JAIR BOLSONARO, EM SÃO PAULO, NO 7 DE SETEMBRO. FOTO: MIGUEL SCHINCARIOL/AFP
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A eleição de Jair Bolsonaro (PL) fez com que grupos de extrema-direita brasileiros se fortalecessem e radicalizassem ainda mais o discurso. A avaliação foi feita por cientistas políticos especialistas no tema para o jornal O Globo desta segunda-feira 10.

Para os especialistas consultados, o grupo conseguiu, desde 2018, normalizar valores sociais radicais, chegando a oferecer riscos à democracia brasileira em diversos episódios recentes. Os grupos, no entanto, não conseguiram centralizar suas ações ao verem o sonho de fundar o partido Aliança pelo Brasil frustrado.

“Em vez de se materializar num partido, o bolsonarismo alugou o Centrão. Uma eventual derrota eleitoral de Bolsonaro será um baque muito mais duro do que foi para a esquerda o impeachment de Dilma, pois o PT tem enraizamento social, hierarquia, burocracia, intelectuais”, explicou Christian Lynch, cientista político da UERJ.

Apesar da ‘derrota institucional’, os grupos radicais da direita conseguiram diversos avanços, de acordo com os analistas. Para eles, o maior sinal de que a extrema-direita conseguiu se radicalizar com Bolsonaro é o prestígio internacional conquistado pelos pares ao redor do mundo.

“O Brasil passou de receptor a produtor de premissas de extrema direita. Não à toa, Steve Bannon tem muito interesse na eleição daqui”, destacou Odilon Caldeira Neto, coordenador do Observatório da Extrema Direita.

Para ele, o Brasil se tornou player ainda mais relevante entre os grupos de extrema-direita mundial após a derrota de Donald Trump nos Estados Unidos e José Antonio Kast, no Chile. Vale lembrar que a neta de um ministro de Adolf Hitler chegou a destacar a importância que Jair Bolsonaro teria em sua ‘internacional conservadora’, um grupo político de extrema-direita que a alemã pretende organizar.

O aumento de casos de apologia ao nazismo no Brasil também seria outra comprovação da análise dos cientistas políticos consultados pelo jornal. Só em 2020 foram abertos 110 inquéritos para apurar o crime, contra apenas 20 apurações de 2018. A própria equipe de Bolsonaro chegou a flertar com essas ideias radicais, o ex-secretário da Cultura, Roberto Alvim, deixou o cargo em 2020 em meio a polêmicas por ter copiado um vídeo e usado frases do ministro da propaganda de Hitler.

Por fim, especialistas ainda destacaram que a pandemia contribuiu para a exacerbação do discurso radical entre os grupos de direita brasileiro. Fomentados por teorias da conspiração e pensamentos antivacina, os grupos ganharam mais terrenos nas redes sociais, como WhatsApp e Telegram. A atuação digital da extrema-direita é objeto de atenção da Justiça brasileira.

CartaCapital
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