Mundo
Em conversa ‘cordial’ com Trump, Lula rejeita classificação de facções como terroristas
De acordo com o Planalto, o norte-americano respondeu positivamente e ‘se dispôs a reforçar a cooperação entre os dois países sobre o tema’
O presidente Lula (PT) conversou por telefone com seu homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta sexta-feira 21 em meio à tensão diplomática entre os dois países. Na ligação – que durou cerca de uma hora, segundo o Palácio do Planalto – o petista afirmou que o País não precisa de uma “classificação” internacional para combater lideranças do crime organizado em território brasileiro.
A medida dos EUA foi anunciada em maio. Na ocasião, o governo Trump enquadrou as facções Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas, em contrariedade à posição brasileira, que avalia a designação como mais uma tentativa dos norte-americanos de interferir no País.
Em nota, o governo relatou que a conversa ocorreu em “tom cordial e amistoso” e declarou que Lula informou a Trump que o Brasil já dispõe de instrumentos próprios para combater e prender lideranças de facções criminosas, além de ter reiterado o interesse em cooperar com Washington no enfrentamento ao crime organizado.
De acordo com o comunicado, Trump respondeu positivamente e “se dispôs a reforçar a cooperação entre os dois países sobre o tema e indicou que mobilizaria funcionários de alto escalão para dar seguimento aos entendimentos nessa área”.
A relação entre o Brasil e os EUA se deteriorou nos últimos meses depois que o país foi alvo de uma investigação sobre práticas supostamente desleais de comércio.
Lula, segundo o governo, afirmou no telefonema que “as alegações que basearam a medida (desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado) são infundadas”.
O governo norte-americano alega, com base na Lei de Comércio americana, que o país adota restrições ao comércio digital, barreiras ao etanol americano e ações do Judiciário brasileiro contra grandes empresas de tecnologia dos EUA e o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Como retaliação, Washington aplicou sobretaxas de 25% a 50% sobre produtos brasileiros, impôs sanções a alvos ligados ao crime organizado e adotou medidas diplomáticas restritivas, como a revogação de vistos de autoridades brasileiras.
Na conversa desta sexta, Lula disse a Trump que as tarifas afetam negativamente tanto o Brasil quanto os EUA e defendeu que as negociações entre os países continuem. “Reiterou a importância de trabalhar juntos para que os Estados Unidos continuem sendo um dos principais parceiros comerciais do Brasil”, diz outro trecho da nota do governo brasileiro. Já o presidente americano, de acordo com o relato do Planalto, teria concordado “com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes”.
Ainda segundo a assessoria de comunicação do petista, os dois presidentes “trocaram impressões sobre os principais conflitos globais, em especial as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio” e “concordaram sobre a urgência de encontrar uma solução negociada para o conflito entre Rússia e Ucrânia, que já se estende por quase cinco anos”.
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