Economia
Durigan projeta retomada do diálogo com os EUA após a eleição e diz que o Brasil ‘não se dobra’
Ministro da Fazenda classificou as divergências com Washington como pontuais e defendeu a manutenção da cooperação entre os dois países
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira 17 que as atuais dificuldades na relação entre Brasil e Estados Unidos são pontuais e manifestou a expectativa de que o diálogo e os fluxos comerciais entre os dois países sejam retomados após as eleições de outubro.
A avaliação ocorreu durante a 27ª Conferência Anual Santander, em São Paulo. Durigan criticou o tarifaço imposto pelos EUA a produtos brasileiros e afirmou que a medida não tem sentido diante da relação comercial.
“O Brasil, que é um país mais pobre que os Estados Unidos, com renda per capita menor que os EUA, exporta suco de laranja, café, carne, avião. Depois de comprar peças e insumos dos EUA, monta o avião e devolve para lá. Estamos sendo punidos, e a gente dá superavit para eles. Não faz nenhum sentido.”
Segundo o ministro, o momento não representa uma mudança estrutural na relação entre os países. Ele atribuiu parte das tensões ao período eleitoral e disse esperar uma recomposição dos canais de diálogo depois do pleito. “Vamos viver um momento aqui por conta do período eleitoral, para ter ali alguma satisfação para a extrema-direita de que estão fazendo alguma coisa no Brasil, mas não faz nenhum sentido.”
Durigan também defendeu que o Brasil mantenha uma política externa sem alinhamento automático a qualquer país. Para ele, a estratégia deve evitar uma dependência maior em relação a um único parceiro.
A defesa de uma posição soberana foi associada pelo ministro à orientação do presidente Lula (PT) nas relações internacionais. Durigan afirmou que o Brasil deve negociar levando em conta seus próprios interesses e sua posição no cenário global. “O que o presidente Lula sempre coloca é o seguinte: o Brasil não se dobra à América do Norte, à Europa ou à Ásia. O Brasil se vê como liderança global que merece respeito, que vai fazer o debate sabendo das suas fraquezas e das suas fortalezas.”
Apesar das divergências comerciais, o ministro destacou haver áreas de cooperação entre Brasil e EUA que, na avaliação dele, devem permanecer à parte das disputas políticas. Entre elas estão o combate ao crime organizado e o intercâmbio de informações entre instituições brasileiras.
“É natural que essa parceria aconteça de maneira mais amigável com os EUA”, acrescentou. “Nos outros países da região, a gente tem uma série de coisas institucionais feitas pela Polícia Federal, pela Receita, que não fazem sentido a gente meter política nessa história e atrapalhar fluxos de informação e de inteligência que já acontecem muito bem.”
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