Mundo

Lula diz que só dará aval a embaixador dos EUA após a eleição

O presidente afirmou que Washington demorou um ano e meio para indicar representante e questionou a escolha a 45 dias da votação

Lula diz que só dará aval a embaixador dos EUA após a eleição
Lula diz que só dará aval a embaixador dos EUA após a eleição
O presidente Lula (PT) em entrevista ao podcast 'Não Inviabilize'. Foto: Reprodução YouTube
Apoie Siga-nos no
Eleições 2026

O presidente Lula (PT) afirmou nesta sexta-feira 14 que o Brasil só dará o aval diplomático ao novo embaixador indicado pelos Estados Unidos depois das eleições. A declaração foi proferida em entrevista ao podcast Não Inviabilize e ocorre em meio ao agravamento das relações entre os dois países e à discussão sobre uma possível interferência norte-americana no processo eleitoral brasileiro.

Lula questionou o momento escolhido pelo governo de Donald Trump para indicar o representante diplomático. Segundo o petista, os Estados Unidos passaram um ano e seis meses sem embaixador no Brasil e agora pressionam pela aprovação da indicação às vésperas da eleição.

“Eles queriam mandar duas pessoas para cá para se meterem e estudarem as urnas. Nós não demos o visto para essas pessoas. Agora eles querem que eu apressadamente aceite o agrément do embaixador deles. Agora, só depois das eleições. Se o embaixador dos Estados Unidos é tão importante no Brasil, por que ficaram um ano e seis meses sem mandarem embaixador para cá? Querem mandar faltando 45 dias para as eleições?”, disse.

O agrément é a autorização concedida pelo país que receberá um representante diplomático para que ele possa assumir o posto. No caso citado por Lula, Trump indicou Daniel Perez para a embaixada norte-americana em Brasília. O Senado dos Estados Unidos aprovou a indicação em 7 de agosto, mas a nomeação ainda depende do aval do governo brasileiro.

Lula volta a criticar Rubio

Ao comentar a crise com Washington, Lula também fez uma distinção entre Trump e integrantes do governo norte-americano. O presidente afirmou acreditar que as decisões contra o Brasil não partem diretamente do chefe da Casa Branca e citou nominalmente o secretário de Estado, Marco Rubio.

“Acho que não é ele [Trump, o responsável pelas tarifas]. Ele sabe que eu não gosto das pessoas que estão fazendo isso. Eu já falei para ele que o secretário de Estado dele não gosta do Brasil e não gosta da América Latina. Eu estive numa reunião com o Trump, com quatro pessoas. Quando terminou, eu falei para o pessoal: o Trump é o melhor de todos eles, é o que conversa mais seriamente comigo. Somos dois chefes de Estado, dois homens de 80 anos. Eu quero manter uma boa relação com os Estados Unidos. Não quero nenhuma briga”, afirmou.

Lula disse ainda que pretende conversar diretamente com Trump sobre as tarifas e sobre eventual interferência norte-americana na eleição brasileira.

“Telefonema às vezes demora. A gente, quando quer ligar para um presidente, demora. Às vezes demora um mês. Mas vai marcar. E espero ter uma boa conversa com ele. O Brasil quer ter uma boa relação com os Estados Unidos. São 201 anos de relações diplomáticas. A gente quer viver bem com todo mundo. Quero ter uma conversa olho no olho com ele. E vou dizer: ‘não se meta nos negócios do Brasil, sobretudo na eleição’. E se se meterem, vão perder”, acrescentou.

O presidente também mencionou diretamente uma eventual participação de Rubio na disputa eleitoral brasileira. “Se o secretário de Estado quiser vir aqui fazer comício para o meu adversário, é até bom”, disse Lula. O presidente afirmou querer “derrotar todos eles juntos.”

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

2026 já começou

Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.

A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.

Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.

Assine ou contribua com o quanto puder.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo