Direto da Redação
TSE asfixia campanha de Marçal e expõe o papel das ‘candidaturas fantasia’ da ultradireita
Em decisão unânime, o tribunal impôs uma forte derrota ao ex-coach. Privatizações, Maranhão e caso Lulinha também pautaram a edição de quinta-feira 20 do programa
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) impôs, por unanimidade, uma derrota contundente ao ex-coach Pablo Marçal ao proibi-lo de utilizar recursos do fundo eleitoral, de participar de debates televisivos e de realizar propaganda eleitoral gratuita em sua campanha presidencial. A decisão unânime do tribunal atende a um pleito do Ministério Público Eleitoral (MPE), que identificou irregularidades na filiação partidária do empresário. Embora Marçal tenha se filiado ao União Brasil em março deste ano, a Justiça Eleitoral de São Paulo havia concedido uma liminar autorizando seu retorno ao PRTB em agosto.
O tema foi um dos destaques da última edição do Direto da Redação, programa diário de CartaCapital, apresentado pelo editor Leonardo Miazzo e, neste episódio, com comentários de Rodrigo Martins e Sérgio Lírio. O programa também abordou a ofensiva jurídica contra o filho de Lula sob a sombra de vazamentos seletivos, os bastidores criminosos do escândalo de corrupção no Maranhão e a retomada histórica de investimentos e lucros das estatais federais.
TSE asfixia campanha de Pablo Marçal e expõe ‘candidaturas fantasia’
Segundo informações de bastidores obtidas pela repórter Maiara Marinho em Brasília, a decisão do plenário do TSE representou um revés profundo nas aspirações eleitorais de Pablo Marçal. Na avaliação apresentada no programa, a candidatura do ex-coach é caracterizada como uma simulação inócua, cujas regras de elegibilidade não são preenchidas.
Para o cientista político Jorge Chaloub, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a movimentação de candidatos que emergem das redes sociais, como Marçal e Renan Santos (Missão), compartilha de uma retórica agressiva semelhante, mas revela estratégias organizacionais distintas. Enquanto o grupo do MBL tenta estruturar um partido político tradicional — publicando livros, cursos e programas partidários — Marçal opera de forma isolada, vendendo sua imagem de empreendedor individual.
Além disso, destacou-se nos bastidores que essa ‘candidatura fantasia’ atende diretamente ao projeto eleitoral de Flávio Bolsonaro, que já elogiou publicamente o candidato do PRTB. Relembrou-se ainda o histórico ético de Marçal, que em sua biografia relata como “empreendedorismo” o ato de colocar obstáculos em vagas na vizinhança para extorquir motoristas em troca da liberação do espaço.
PGR tenta enviar caso Lulinha à primeira instância
Paralelamente às punições do TSE, o debate político nacional é impactado pelo “fator Lulinha” e por uma seletividade judicial que contrasta com a blindagem de opositores. A Procuradoria-Geral da República pediu ao Supremo Tribunal Federal o envio do inquérito contra o empresário Fábio Luiz Lula da Silva, filho do presidente da República, para a primeira instância. O relator do caso, ministro André Mendonça, deve rejeitar a solicitação e manter o processo sob seu controle.
Para o redator-chefe de CartaCapital Sérgio Lírio, Mendonça comporta-se como um “juiz torcedor”, servindo como um verdadeiro “12º jogador” da campanha do senador Flávio Bolsonaro ao reter a condução das investigações.
Nas conversas com integrantes do governo e parlamentares, constata-se a expectativa de que novas ações policiais contra Fábio Luiz sejam deflagradas em setembro, no auge do período eleitoral. Esse cronograma repete o padrão iniciado na própria segunda-feira seguinte ao lançamento oficial da campanha presidencial de Lula, marcada por uma onda de vazamentos seletivos. As conversas vazadas entre Fábio Luiz, a empresária Roberta Luchsinger e o secretário de gabinete da presidência, Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, tratam de empréstimos pessoais privados, mas não oferecem qualquer indício de vantagens ilícitas obtidas junto ao poder público. A própria suspeita levantada de que o empresário teria intercedido em um contrato de cannabis medicinal para o SUS cai por terra diante do fato de que nenhum contrato foi firmado ou pago.
A leniência e a inércia que cercam o caso contra o filho do presidente contrastam com o silêncio em torno do caso Dark Horse de Flávio Bolsonaro. Ao contrário das ilações contra Fábio Luiz, no caso do senador há um áudio gravado em que o próprio Flávio Bolsonaro solicita aportes multimilionários ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, investigado na maior fraude financeira da história do Brasil. O repasse de 130 milhões de reais fluiu por uma produtora de fachada nos Estados Unidos com o envolvimento de Eduardo Bolsonaro. No programa, ressaltou-se que Flávio Bolsonaro busca esquivar-se do caso, classificando-o como “página virada”, respaldado por uma perícia técnica sem notas fiscais ou recibos de despesas apresentada por sua produtora. A Polícia Federal, contudo, continua a investigar se os fundos desviados serviram para financiar a residência e a atuação conspiratória de Eduardo Bolsonaro em território norte-americano.
Inquérito no Maranhão expõe assassinatos e desvio de emendas parlamentares
A gravidade dos esquemas de corrupção que envolvem violência de Estado e intimidações ganha contornos de terror no Maranhão, assunto que estampa a capa da edição impressa de CartaCapital. O que a imprensa tradicional tratou inicialmente como um debate estrito sobre “sigilo de fonte” de um blogueiro local revelou-se, de fato, uma engrenagem que envolve desvios de emendas parlamentares, propina e dois homicídios. No programa, criticou-se fortemente a miopia editorial dos grandes veículos de comunicação, que trataram a investigação contra quadrilhas armadas e repasses ilícitos de dinheiro como simples agressão à “liberdade de imprensa”.
Lucro das estatais sobe 100 bilhões de reais e desafia privatizações
No cenário econômico, os resultados operacionais desmontam o fundamentalismo de mercado de governadores ultraliberais, como Romeu Zema. No atual governo, as empresas estatais federais acumularam um crescimento de lucros de 100 bilhões de reais em relação a gestões passadas, dinamizadas pela guinada estratégica da Petrobras. A petroleira anunciou a descoberta de petróleo na Margem Equatorial, uma fronteira geológica qualificada como um “segundo Pré-Sal” que pode posicionar a estatal entre as três maiores petroleiras do planeta.
Em artigo publicado no site de CartaCapital, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega pontua que a retomada dos investimentos de exploração, que haviam sido abandonados nos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro para inflar a distribuição de dividendos a acionistas privados, é a prova material do sucesso da planificação estatal. No programa, a experiência norueguesa de planificação e uso social dos recursos do petróleo foi apontada como exemplo para o planejamento de médio prazo brasileiro.
O Direto da Redação vai ao ar de segunda a sexta-feira, às 17h, no canal de CartaCapital no YouTube. Assista abaixo à íntegra do programa de 20 de agosto de 2026:
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