Política

“Desastre”, diz Doria sobre possível saída de equipe do Ministério da Saúde

Governador de SP lamentou saída do secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira: ‘um guerreiro que tem ajudado a saúde pública’

O governador de São Paulo, João Doria (Foto: Governo do Estado de São Paulo)
O governador de São Paulo, João Doria (Foto: Governo do Estado de São Paulo)

O tempo corre contra o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e, por consequência, também para a equipe técnica do Ministério da Saúde empenhada no combate ao coronavírus no Brasil. Ainda resta apoio; no entanto, ele vem do maior antagonista do presidente Jair Bolsonaro, que disse temer que a troca de equipe traga uma orientação política-ideológica para o combate à epidemia da covid-19.

João Doria, governador de São Paulo, afirmou em uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira 15 que seria um “desastre e um risco para a saúde pública” caso as perspectivas de debandada da equipe sejam confirmadas – e tudo indica que elas, de fato, serão.

“Eles [equipe do Ministério da Saúde] vêm demonstrando responsabilidade, apoio técnico, respeito à ciência, aos princípios da saúde e às orientações da Organização Mundial da Saúde. Se houver a saída do ministro e de membros de sua equipe, entendo isso como um desastre e um risco para a saúde pública do pais. Haverá o risco de termos não mais uma orientação técnica, e sim uma orientação politica e ideológica.”, disse Doria ao ser questionado sobre os boatos de troca de equipe.

Nesta manhã, o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira, foi o primeiro a pedir demissão da pasta. Em carta escrita como despedida aos colegas do Ministério, o ex-secretário afirmou que a saída de Mandetta é um fato que deve ser anunciado “em questão de horas ou de dias”.

Sobre Wanderson, o governador paulista o definiu como um “guerreiro que tem ajudado a saúde pública brasileira”, e lamentou a saída do ex-secretário.

A saída do ministro da Saúde deve ser anunciada a qualquer momento. Mandetta e Bolsonaro estão em crise após divergirem sobre medidas de combate ao coronavírus. Enquanto o ministro defende um isolamento total para evitar o aumento do contágio, seguindo os protocolos internacionais, o presidente acredita que apenas o grupo de risco deveria ficar em casa, enquanto o resto da população continue trabalhando para evitar uma crise econômica.

Há, também, a discussão acerca do uso da substância cloroquina como um remédio padrão no tratamento dos pacientes com coronavírus. Impulsionado a ganhar capital político com a defesa do medicamento, Jair Bolsonaro já mandou o Exército produzir milhões de comprimidos da substância, enquanto pesquisadores e médicos ainda encontram ressalvas na utilização compulsória da cloroquina em pacientes que não estejam em estado grave. O cuidado vem pelos efeitos colaterais que o remédio pode ter nos doentes, como arritmia cardíaca.

Na semana passada Bolsonaro chegou a cogitar demitir Mandetta, mas foi convencido pela ala militar do seu governo em manter o ministro. No domingo 12, o chefe da pasta da Saúde concedeu uma entrevista à TV Globo na qual ele criticou a postura de Bolsonaro e pediu união no discurso. Segundo interlocutores do governo, a entrevista foi a gota d’água para o presidente e significou perda de apoio da ala militar para Mandetta.

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