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Deputado trumpista que atacou Lula apoiou tentativa golpista de reverter eleição nos EUA

Carlos Gimenez, republicano da Flórida, votou por contestar a vitória de Joe Biden em 2020 e agora usa imagem de Lula capturado como Maduro

Deputado trumpista que atacou Lula apoiou tentativa golpista de reverter eleição nos EUA
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O deputado republicano Carlos Gimenez. Foto: Divulgação
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A ameaça publicada contra o presidente Lula (PT) por um deputado republicano dos Estados Unidos não é aleatória. Carlos Gimenez, representante da Flórida, construiu sua trajetória em Washington como aliado de Donald Trump e esteve entre os congressistas que contestaram o resultado da eleição presidencial de 2020. Agora, em meio à crise entre Brasília e Washington, recorreu às redes sociais para sugerir que Lula poderia ter o mesmo destino do venezuelano Nicolás Maduro, sequestrado por forças norte-americanas em janeiro.

Gimenez publicou no X uma montagem feita a partir da fotografia de Maduro após a operação dos Estados Unidos na Venezuela. No lugar do chavista aparece Lula vendado, usando roupas semelhantes às da imagem original e segurando uma garrafa de cachaça. A legenda é curta: “O que o espera… #Brasil”. A publicação foi compartilhada, entre outros, pelo deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro e pelo blogueiro Paulo Figueiredo.

Horas depois, Gimenez voltou a atacar Lula. Em outra publicação, acusou o petista de agir sob influência de seus supostos “chefes” da chamada “ditadura castrocomunista” e classificou a reação de Lula a Marco Rubio como hostilidade contra uma “liderança firme que defende a liberdade”. Em seguida, chamou o brasileiro de “corrupto” e “criminoso comunista”.

A provocação do deputado foi respondida por brasileiros com um “vampetaço”, movimento que consiste em inundar publicações com imagens do ex-jogador Vampeta nu. A reação transformou a ameaça de Gimenez em uma enxurrada de memes.

Quem é Carlos Gimenez

A trajetória de Gimenez ajuda a explicar o personagem. Ele chegou à Câmara dos Representantes em 2021, depois de ter sido prefeito do condado de Miami-Dade. Em novembro de 2020, quando a vitória de Joe Biden já havia sido reconhecida por projeções eleitorais, Gimenez dizia que Trump tinha o direito de contestar o resultado e que não deveria conceder a eleição. Pouco depois, em janeiro de 2021, votou por rejeitar os resultados eleitorais de Arizona e Pensilvânia – uma iniciativa destinada a impedir a certificação da vitória de Biden. O movimento ocorreu no mesmo dia em que uma multidão de apoiadores de Trump invadiu o Capitólio.

Desde então, Gimenez permaneceu alinhado ao trumpismo. Atualmente, representa o 28º distrito da Flórida e ocupa cadeiras nos Comitês de Serviços Armados e de Segurança Interna. Também preside a Subcomissão de Segurança em Transporte e Marítima da Comissão de Segurança Interna, além de integrar a comissão especial da Câmara sobre a competição estratégica com a China.

Cabe, porém, uma ponderação: Gimenez é um deputado do baixo clero da política norte-americana. Apesar de ocupar postos em comissões relevantes, não integra a Comissão de Relações Exteriores da Câmara e não tem posição no Departamento de Estado. Não há  indicação de que tenha influência direta sobre Marco Rubio ou que sua postagem represente uma expressão oficial do secretário de Estado ou do governo Trump. A importância do episódio está menos no peso individual de Gimenez e mais no fato de um congressista aliado de Trump usar uma operação militar contra um presidente latino-americano para insinuar publicamente que o mesmo poderia acontecer com Lula.

O governo Trump de fato tem aumentado a pressão sobre o Brasil, com medidas comerciais e diplomáticas e sanções contra autoridades brasileiras. Ao mesmo tempo, Washington classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. O bolsonarista Jeffrey Chiquini (Novo-PR) candidato a deputado federal, chegou a usar esses fatos para sustentar, sem apresentar qualquer prova, que integrantes da Delta Force já estariam no Brasil e que Lula poderia acabar sequestrado como Maduro. Ele chegou a dizer que havia recebido uma “informação quentíssima” sobre a presença da unidade norte-americana no País.

A postagem de Gimenez foi o combustível usado por Chiquini para tentar dar aparência de confirmação à própria alegação. O advogado afirmou que, depois de ver a montagem do deputado, “faz ainda mais sentido” a suposta informação e disse que não duvidaria de que Lula tivesse o mesmo fim de Maduro. 

O contraste entre a fantasia bolsonarista alimentada nas redes e os fatos é evidente: a classificação de organizações como terroristas pode permitir aos Estados Unidos aplicar sanções e outras medidas contra pessoas ligadas a esses grupos, mas não constitui, por si só, autorização para tropas norte-americanas entrarem no território brasileiro. Chiquini tampouco apresentou documentos, imagens, registros oficiais ou qualquer elemento verificável que demonstrasse a presença da Delta Force no Brasil.

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