Política

Deputada Talíria Petrone recorre à ONU após novas ameaças de morte

‘Isso é fruto dos tempos que estamos vivendo, de um autoritarismo sem tamanho e pouco apreço à democracia’, afirma a parlamentar

Deputada Talíria Petrone recorre à ONU após novas ameaças de morte. Foto: Câmara dos Deputados.
Deputada Talíria Petrone recorre à ONU após novas ameaças de morte. Foto: Câmara dos Deputados.
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A deputada federal Talíria Petrone (PSOL/RJ) recorreu à Organização das Nações Unidas (ONU) após sofrer novas ameaças de morte. Em uma carta em inglês, enviada no dia 22 às relatoras de direitos humanos da entidade, a parlamentar pede explicações do governo brasileiro, não apenas sobre seu caso, mas também sobre a morte de Marielle Franco.

“Como deputada eleita, defensora dos direitos humanos, negra que identifica-se com as lutas contra o racismo, misoginia e outras formas de intolerância, eu percebo as ameaças dirigidas a mim como uma ameaça à própria democracia”, diz a deputada em entrevista a CartaCapital.

As novas ameaças foram identificadas em junho pelo “Disque Denúncia” da Polícia do Rio de Janeiro. O órgão informou a Câmara dos Deputados que havia mais de cinco gravações de pessoas falando sobre a morte de Talíria.

A parlamentar, então, voltou a ser escoltada pela Polícia Legislativa.

“A democracia está andando a passos largos para trás. Não acho que seja algo de incapacidade, é uma decisão política de não haver uma resposta. Isso é fruto dos tempos que estamos vivendo, de um autoritarismo sem tamanho e pouco apreço à democracia”, afirma.

Desde 2016 sem investigação

Talíria conta que recebe ameaças de morte desde que foi eleita vereadora na cidade de Niterói (RJ), em 2016, mesmo ano em que Marielle foi eleita vereadora no Rio de Janeiro.

Após a ida de Talíria para Brasília, a fim de ocupar o cargo de deputada federal depois das eleições de 2018, a Polícia descobriu pessoas tramando a morte da parlamentar pela “deep web”. Ao informar o fato à Câmara dos Deputados, Talíria passou a ser escoltada pela Polícia Legislativa.

A escolta durou de abril de 2019 a fevereiro deste ano, quando os trabalhos foram interrompidos por causa da pandemia do novo coronavírus, e foi retomada em junho.

Mesmo com todos esses episódios, não houve abertura de investigação para descobrir as origens das ameaças contra a deputada.

Se acatada pelas relatoras da ONU, a denúncia se transformará em cobrança formal por parte das especialistas ao governo brasileiro. O gesto tem como objetivo forçar as autoridades a agir, ou pelo menos criar um constrangimento internacional que conduza a uma maior proteção à parlamentar.

“Estamos buscando todas as formas de me manter protegida para seguir exercendo o mandato para que fui eleita. Tantas ameaças limitam relação com alguns territórios, exigem um cuidado maior ao circular pelas cidades, o que dificulta o exercício parlamentar”, conclui Talíria.

Alexandre Putti

Alexandre Putti Repórter do site de CartaCapital

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