CPI da Covid reage a Nise Yamaguchi e senadores citam ‘pagamentos com dinheiro vivo’

'Ela tem que se preocupar com os pacientes que foram a óbito com o tratamento que ela dava', disse o presidente da comissão, Omar Aziz

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Política

O presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), e o senador Otto Alencar (PSD-BA), titular da comissão, reagiram neste domingo 19 à decisão da médica pró-cloroquina Nise Yamaguchi de levá-los à Justiça por fatos ocorridos durante seu depoimento ao colegiado, no início de junho. Ela diz ter sido vítima de misoginia e humilhação e cobra indenização de 160 mil reais de cada um.

 

 

Pelas redes sociais, Alencar afirmou que a CPI começou a identificar “muitos pagamentos com dinheiro vivo de pessoas ligadas ao governo federal”. No caso de Yamaguchi, diz o senador, “oito passagens aéreas para deslocamento até Brasília foram pagas desta forma, o que poderá levar à CPI a ouvir a médica novamente”.

Aziz, em entrevista à CNN Brasil, reforçou que a comissão “já detectou” os pagamentos em espécie. “Ela [Nise] disse para a gente que foram três viagens a Brasília, mas foram 13, das quais oito pagou com dinheiro vivo. Ela tem muito mais a explicar do que eu”, declarou.

O presidente da CPI também mencionou uma nota divulgada pelo colegiado no sábado 19, horas depois de o Brasil registrar a marca de 500 mil mortes pelo novo coronavírus.  No texto, assinado também por Aziz, os senadores afirmam que “os responsáveis pagarão por seus erros, omissões, desprezos e deboches” e que os culpados, a depender da CPI, “serão punidos exemplarmente”.

“Acho bom ela ler a nota e não se preocupar comigo e com o senador Otto. Ela tem que se preocupar com os pacientes que foram a óbito com o tratamento que ela dava, na Prevent Senior, no Hospital [Albert] Einstein. A CPI vai requisitar dos hospitais em que ela trabalha todos os boletins, todas as prescrições dela e quem se salvou ou não. Senão, a Prevent Senior vai para a CPI também”, acrescentou Aziz.

“Leia a nossa nota. Ela se encaixa ali, ela está ali, tanto é que passou de testemunha a investigada“, completou.

Na ação judicial, os advogados Raul Canal e Danny Gomes dizem que os senadores atacaram a dignidade de Nise “enquanto médica, cientista e mulher” e intimidaram a oncologista. A defesa também pede que a Procuradoria-Geral da República seja comunicada para analisar se os parlamentares cometeram o crime de abuso de autoridade.

Médico de formação, Otto Alencar confrontou Nise sobre conhecimentos técnicos a respeito de doenças virais. Insatisfeito com as respostas, interrompeu a oncologista: “a senhora não sabe, infelizmente a senhora não sabe nada de infectologia. Nem estudou, doutora. A senhora foi aleatória mesmo, superficial”.

 

Atualização: em nota enviada a CartaCapital em 21 de junho, a Prevent Senior alega que, diferentemente do que afirmou o senador Omar Aziz, “a médica Nise Yamaguchi nunca fez parte de seus quadros profissionais”.

 

 

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