Justiça

Como Bolsonaro teria pressionado o PL a questionar as urnas eletrônicas

A ofensiva do partido, que questionou sem provas a validade de quase 300 mil urnas no segundo turno, teria ocorrido graças à insistência do ex-presidente

Foto: EVARISTO SA / AFP
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Após a derrota nas eleições presidenciais de outubro, Jair Bolsonaro (PL) pressionou os partidos que faziam parte da sua base de apoio, principalmente o PL, para que questionassem o resultado das urnas que apontou a vitória de Lula (PT). As informações foram reveladas nesta quarta-feira 25 pela jornalista Bela Megale, do jornal O Globo.

Segundo ela, a ação do PL que questionou a validade de quase 300 mil urnas no segundo turno das eleições ocorreu por conta da insistência do ex-presidente.

Membros do PL teriam pedido para que o próprio Bolsonaro tomasse a liderança no processo de questionamento das urnas frente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O pedido seria direcionado diretamente ao ministro Alexandre de Moraes. O argumento do PL era de que Bolsonaro deveria estar à frente do processo, uma vez que ele, como candidato derrotado, era o principal interessado na ação.

Ainda segundo O Globo, Bolsonaro teria se recusado a assinar a ação.

Depois do resultado eleitoral, a Coligação Pelo Bem do Brasil, composta pelo PL, protocolou, em novembro do ano passado, uma representação questionando a segurança das urnas utilizadas no segundo turno das eleições.

Ainda segundo O Globo, a ausência da assinatura de Bolsonaro na ação de questionamento às urnas teria causado “grande irritação entre lideranças alinhadas a Valdemar [Costa Neto, presidente do PL]”.

Além disso, a cúpula do PL teria descoberto uma iniciativa da família Bolsonaro que pretendia dar o comando do partido ao senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente.

Em dezembro, o plenário do TSE confirmou, por unanimidade, a condenação do PL ao pagamento de multa de 22,9 milhões de reais por litigância de má–fé, em razão da tentativa de verificação extraordinária das urnas eletrônicas.

Valdemar Costa Neto, segundo O Globo, teria relatado a aliados e interlocutores políticos que teria se arrependido de apresentar a ação no TSE.

No curso das investigações sobre o envolvimento do ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro, Anderson Torres, nos ataques golpistas promovidos nas sedes do Três Poderes, em Brasília, a Polícia Federal (PF) encontrou na casa de Torres a minuta de um decreto para instaurar Estado de Defesa no TSE, que pretendia interferir na Corte Eleitoral para que Bolsonaro pudesse se autodeclarar vencedor das eleições.

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