Comissão sobre Mortos cancela evento de entrega de certidões de óbito

Em cerimônia, familiares de Fernando Santa Cruz e de outras vítimas da ditadura receberiam documentos que atestam responsabilidade do Estado

Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos é subordinada à pasta da ministra Damares Alves. (Foto: Luiz Alves/MMFDH)

Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos é subordinada à pasta da ministra Damares Alves. (Foto: Luiz Alves/MMFDH)

Política

A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos suspendeu a cerimônia em que entregaria quatro certidões de óbito retificadas a quatro famílias. Os documentos confirmam que o Estado brasileiro foi responsável pelas mortes das vítimas, inclusive, Fernando Santa Cruz, pai do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz. Agora, os registros serão entregues pelos Correios. As informações são da rádio CBN.

Previsto desde maio, o evento seria realizado em Recife (PE), em parceria com a Assembleia Legislativa de Pernambuco, no dia 26 de agosto. No entanto, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, comandado por Damares Alves, alegou redução de custos. A Comissão está subordinada à pasta.

O cancelamento da cerimônia ocorre uma semana após uma série de demissões na Comissão que investiga mortes e desaparecimentos ocorridos durante a ditadura. O presidente Jair Bolsonaro (PSL) exonerou quatro membros, de sete, entre eles a procuradora que presidia a equipe, Eugênia Gonzaga Fávero.

A Comissão havia desmentido a versão de Bolsonaro sobre a morte do pai do presidente da OAB. Em transmissão ao vivo nas redes sociais, o presidente da República afirmou que o desaparecimento de Fernando Santa Cruz ocorreu por obra de militantes de esquerda, e não por militares que chefiavam o regime. Porém, um documento publicado pelos conselheiros atesta que o Estado foi responsável pelo óbito.

Em coletiva de imprensa realizada em 1º de agosto, a procuradora Eugênia Gonzaga afirmou que “esta situação de brincar com a versão é crueldade”, em referência às declarações de Bolsonaro que colocaram dúvidas sobre os relatórios do colegiado. No lugar da ex-presidente, foi nomeado o assessor da ministra Damares Alves, Marcus Vinícius Pereira de Carvalho, filiado ao PSL.

Amelinha Teles, ex-militante contra a ditadura e parente de desaparecidos, esteve na coletiva e disse que, junto a demais familiares de perseguidos, enviou uma carta à Corte Interamericana de Direitos Humanos, exigindo explicações do presidente da República sobre as declarações recentes. “Escrevemos uma carta para a Corte Interamericana de Direitos Humanos para interpelar, junto ao governo brasileiro, sobre as colocações do presidente, extremamente irresponsáveis e levianas.”

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