Com Pazuello, Bolsonaro diz que governadores tentam instaurar ditadura

Sem máscara, presidente reuniu motociclistas na zona sul da capital fluminense

O presidente Jair Bolsonaro, em ato no Rio de Janeiro, junto ao ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. Foto: Reprodução/CNN Brasil

O presidente Jair Bolsonaro, em ato no Rio de Janeiro, junto ao ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. Foto: Reprodução/CNN Brasil

Política

O presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar medidas de combate à Covid-19 adotada por governadores e prefeitos, durante discurso em manifestação no Rio de Janeiro, neste domingo 23. Bolsonaro estava ao lado do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, que prestou depoimento no Senado Federal na última semana.

 

 

 

O evento foi transmitido nas redes sociais. Bolsonaro defendeu a “liberdade” e fez referência a Fernando Haddad (PT), seu adversário em 2018, sobre possíveis restrições na pandemia em eventual governo do petista.

“Imaginem se o poste tivesse sido eleito presidente da República, como estaria o nosso Brasil no dia de hoje?”, disse. “Lamento cada morte no Brasil, não importa a motivação da mesma. Mas nós temos que ser fortes. Nós temos que enfrentar o desafio, viver e sobreviver.”

Em seguida, Bolsonaro mencionou os gestores locais por “ignorar”, segundo ele, preocupações com a economia.

“Desde o começo, eu disse que tínhamos dois problemas, o vírus e o desemprego. Muitos governadores e prefeitos simplesmente ignoraram a grande maioria da população brasileira e, sem qualquer comprovação científica, decretaram lockdown, confinamentos e toques de recolher”, afirmou o presidente, omitindo estudiosos que apontaram eficácia em restrições na circulação de pessoas como uma forma de combater a pandemia.

 

“Hoje, vocês já sabem o que é uma democracia e uma tentativa, um início de ditadura patrocinada por esses governadores.”

 

“Nós não tiramos o emprego de ninguém, muito pelo contrário”, continuou. “Fizemos o possível para que eles fossem mantidos. Estamos ainda num momento difícil. Mas se Deus quiser, logo ele passará. Mas nós temos que viver, temos que ter alegrias também, nós temos que ter ambições, nós temos que ter esperança.”

Bolsonaro voltou a falar em “meu Exército” e disse que não mobilizará as Forças Armadas em favor das restrições.

Mil policiais escoltaram o evento. O discurso ocorreu no Aterro do Flamengo, onde há um monumento de homenagem a militares que foram à Segunda Guerra Mundial. Bolsonaro chegou ao local após um percurso de 30 quilômetros com motociclistas que apoiam o seu governo, iniciado na Barra da Tijuca, zona oeste, às 10 da manhã.

Tanto o presidente como os seus convidados ao seu lado estavam sem máscaras. O chefe do Executivo também havia desprezado o uso da proteção facial no ato com motociclistas em 9 de maio, em Brasília.

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Repórter do site de CartaCapital

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