Pasternak: ‘Não acredito que alguém vá cair na conversinha do Pazuello’

A CartaCapital, a pesquisadora criticou a postura do ex-ministro da Saúde na CPI da Covid e analisou os desafios do combate à pandemia

Créditos: Divulgação

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Política,Sociedade

“Cumpriu a missão de proteger o presidente da República, todo o discurso dele foi no sentido de preservar Bolsonaro”. Essa é a análise da bióloga e divulgadora científica Natália Pasternak sobre o depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello à CPI da Covid.

Para a especialista, o general compareceu ao Senado com um discurso pronto e distribuiu responsabilidades, sem se preocupar com eventuais mentiras, como ao comentar a negociação com a Pfizer por vacinas em 2020.

 

 

“Não acredito que alguém vá cair nessa conversinha do Pazuello de que o governo tentou responder [às ofertas da farmacêutica]. Os fatos estão muito claros, foram muito delineados pelo executivo da Pfizer. Nós sabemos, quem acompanhou as declarações do Bolsonaro dizendo que não ia fazer contrato com a Pfizer, que tinha cláusulas leoninas, que a vacina ia transformar as pessoas em jacaré”, apontou Pasternack, que reforçou a perda de uma ‘janela de oportunidade’ para o País. “Quantas vidas poderiam ser poupadas se essa vacinação tivesse sido implementada o ano passado ou no início desse ano?”, questionou.

Em entrevista exclusiva ao programa Direto da Redação, exibido no canal de CartaCapital no YouTube, Pasternack reforçou a postura negacionista do governo, mesmo antes da pandemia do novo coronavírus. “É um governo marcado pelo negacionismo ambiental, climático, não surpreende a mesma lógica na pandemia, com a negação de medidas de prevenção, de um bom planejamento para a compra de vacinas”.

Questionada sobre uma possível terceira onda da Covid-19 no País, a especialista destacou que, além do ritmo da vacinação, 0 comportamento da população será determinante. “Quando a gente vive uma epidemia de transmissão respiratória, a gente depende de vacinas e também do sucesso na modificação do comportamento de pessoas, o que só se consegue com uma comunicação efetiva, que traga a população como parceira nessas medidas de colaboração”, destacou, em referência à importância das medidas de isolamento social.

Sobre as variantes do coronavírus, Pasternack ponderou que elas não são a causa, mas “o resultado de uma pandemia que corre descontrolada”.

“Quanto mais o vírus se multiplica, mais mutações ele sofre e maior a probabilidade de que essas mutações tragam vantagens ao vírus, para que ele se torne mais eficiente em nos infectar. Outra vantagem que ele pode ter é escapar de anticorpos, sejam de uma infecção anterior ou gerados por vacinação”, alertou a pesquisadora.

Confira a entrevista completa:

 

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