Coaf identifica movimentações suspeitas de R$ 552 mil em conta de Ana Cristina

Para o MP, indícios sugerem que ex-esposa do presidente Jair Bolsonaro teria sido real destinatária das rachadinhas

Foto: Reprodução

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Justiça,Política

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras identificou duas movimentações suspeitas na conta da advogada Ana Cristina Valle, segunda mulher do presidente Jair Bolsonaro e mãe de Jair Renan, o filho 04 do ex-capitão. A apuração é da jornalista Juliana Dal Piva, do UOL. 

As operações coincidem com as datas em que ela vendeu, em 2011, um conjunto de cinco terrenos. De acordo com o Coaf, foram ao menos dois depósitos em espécie que totalizaram 532,2 mil reais. 

Nos documentos constam as escrituras da venda de terrenos que mostram que os valores do negócio foram, inclusive, superiores a esse montante em dinheiro vivo verificado nos depósitos.

 

 

Os terrenos foram comprados por Ana Cristina no período do casamento com Jair Bolsonaro e quando ela era chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro.  Com as vendas dos terrenos,  ela teria tido um lucro de 1.100% em seis anos. 

Ana Cristina é investigada pelo Ministério Público, junto com o vereador Carlos Bolsonaro, pelo período em que foi chefe de gabinete do ex-enteado, entre os anos de 2001 a 2008. O MP apura esquema de rachadinha no gabinete. 

O Coaf ainda apontou que Ana Cristina tem “movimentação acima da capacidade financeira cadastrada”, bem como “movimentação atípica e incompatível com os dados cadastrais” e ainda transferências atípicas que podem “configurar a existência de indícios do crime de lavagem de dinheiro”.

Os investigadores ainda avaliam que a “elevada movimentação de recursos em espécie por Ana Cristina Vale sugere que a mesma seja a real destinatária dos recursos públicos desembolsados em nome dos parentes por ela indicados para o gabinete de Carlos Nantes Bolsonaro”.

Ao todo, 18 parentes dela foram nomeados para cargos no gabinete de Carlos Bolsonaro. 

No mês passado, Ana Cristina e Jair Renan se mudaram para uma mansão em Brasília, avaliada em mais de 3 milhões de reais. Segundo ela, a casa seria alugada, no entanto, ex-funcionário denuncia que ela comprou a mansão com o uso de laranjas.

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Repórter do site de CartaCapital

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