Justiça
Ciro Gomes aciona MP para apurar pichação atribuída ao PCC que veta campanha em cidade do Ceará
A coligação sustenta que a mensagem pode ter sido utilizada para ‘intimidar e restringir o exercício da atividade político-eleitoral’
A campanha de Ciro Gomes (PSDB), candidato ao governo do Ceará, pediu ao Ministério Público do estado que investigue a autoria de uma pichação em Itapipoca (a 130 quilômetros de Fortaleza) que faz referência a facção criminosa Primeiro Comando da Capital e supostamente determinaria a proibição de campanha eleitoral em favor do tucano no município.
Registrada em imagem anexada a uma notícia-crime apresentada nesta quarta-feira 2, a pichação diz: “proibido fazer campanha do Ciro na Itapipoca”. Logo abaixo, há uma referência ao PCC acompanhada de uma numeração.
A coligação de Ciro sustenta que a mensagem pode ter sido utilizada para “intimidar e restringir o exercício da atividade político-eleitoral”, mas ressalva que a fotografia, por si só, não permite confirmar a autoria da inscrição ou sua efetiva vinculação à facção criminosa.
“Embora a imagem, isoladamente considerada, não permita concluir definitivamente acerca da autoria da inscrição ou da efetiva vinculação da mensagem à organização criminosa nela indicada, seu conteúdo é suficientemente grave para justificar imediata apuração pelas autoridades competentes”, afirmam os advogados.
O documento ainda pontua que o episódio não se trata apenas de uma manifestação de oposição política e “revelam uma tentativa de impedir ou constranger a realização de atos de campanha em determinada área geográfica”. Por isso, a campanha do tucano solicitou ao Centro de Apoio Operacional Eleitoral do MP cearense a realização de diligências para identificar os autores da inscrição, além de uma investigação sobre a existência de outras inscrições, ameaças ou atos semelhantes na cidade.
Esse episódio ocorre em meio à tentativa dos candidatos de transformar a segurança pública em um dos principais eixos da disputa pelo governo do Ceará. Na rodada mais recente da pesquisa Genial/Quaest, divulgada em julho, 53% dos entrevistados apontaram a violência como o principal problema do estado.
Na última década, o estado assistiu a uma expansão da atuação de facções criminosas, em um cenário marcado por disputas territoriais e conflitos entre grupos de atuação nacional, como PCC e Comando Vermelho, e organizações locais, como a Guardiões do Estado.
Desde o início da campanha eleitoral, cerca de 13 pessoas já foram detidas sob suspeita de agir a mando dos grupos criminosos para interferir na eleição deste ano, aponta balanço da Secretaria de Segurança Pública do Ceará.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Parlamentares do PSOL acionam SSP e MP para apurar possível lesbofobia em morte de casal no litoral de SP
Por CartaCapital
Em conversa ‘cordial’ com Trump, Lula rejeita classificação de facções como terroristas
Por Wendal Carmo




