Política

Cid Gomes diz que, se o Centrão mandar no governo, Lula vai para o buraco

Líder do PDT no Senado também criticou o que chamou de ‘desautorização pública’ em desfavor do ministro Carlos Lupi, da Previdência

Foto: Pedro França/Agência Senado
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O líder do PDT no Senado, Cid Gomes, avaliou que o governo Lula (PT) terá sérios problemas políticos caso insista em se apoiar no Centrão. A declaração foi dada em entrevista ao jornal O Globo desta quinta-feira 23.

“Eu acho que ele [Alexandre Padilha, ministro das Relações Institucionais] está levando o presidente Lula para uma tragédia. Se a defesa dele é que o Centrão volte a mandar no governo, como mandou nos mandatos do Bolsonaro e do Michel Temer, vai levar o Lula para o buraco”, avaliou o senador.

Para o parlamentar, o governo Lula estaria, neste momento, conformado com a atual distribuição do poder em Brasília e estaria cometendo um erro ao não atuar para que nomes como Arthur Lira (PP-AL) tenham menos condições de pressão sobre o Executivo.

“Uma preocupação que eu tenho é esse conformismo com o status quo, o Centrão, a Câmara. O Lira é só mais um e vai ser mudado. O poder do Lira não é um poder dele, é um poder da presidência da Câmara, que vinha de pressão junto a governos frágeis, como foi o do Bolsonaro e como foi o do Michel Temer”, destacou o político. “O Brasil não vai mudar só porque tirou o Bolsonaro e botou o Lula. É o Centrão, é o mesmo povo, com a conivência e o entusiasmo do Alexandre Padilha, que é o articulador político do governo”.

Na conversa, Cid elogiou ainda as boas intenções de Fernando Haddad na condução da economia, mas disse ver obstáculos para o ministro, que, na sua visão, estaria cercado de representantes do mercado financeiro.

“Eu vejo pessoas no governo muito influentes, que são porta-vozes do sistema financeiro. Vide agora o caso do Lupi [ministro da Previdência]. Ele conversou com o presidente antes de reunir o conselho do Ministério da Previdência [para baixar os juros do consignado], e depois a Casa Civil disse que não tinha sido acertado. Uma desautorização pública”, pontuou.

O senador, que é irmão de Ciro Gomes, que concorreu ao Planalto nas últimas eleições com duras críticas a Lula, também defendeu que o partido, na metade do mandato, reavalie sua posição de base do governo. A intenção, diz, é ver se Lula se comprometeu, de fato, com as propostas pedetistas ou não. Caso a resposta seja negativa, ele defende um rompimento. Só neste cenário, avalia, o PDT estaria apto a lançar novamente um candidato à Presidência em 2026.

“Um partido que decide participar de um governo tem que ter um motivo forte para lançar uma candidatura. Não pode fazer isso de forma oportunista às vésperas da eleição. Participar do governo do Lula não impede daqui a três anos que o PDT venha ter um candidato a presidente, mas essa decisão tem que ser tomada com o tempo de não parecer que ficamos até a última hora e saímos para lançar um candidato”, defendeu.

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