Política

Caso Marielle: as provas colhidas pela investigação que reforçam a versão do delator

Dados de celulares, pedido de táxi, postagem em rede social e registros de placas indicam que o relato de Élcio de Queiroz aos investigadores seria verdadeiro

Foto: Agência Brasil
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A versão apresentada pelo ex-policial militar Élcio de Queiroz a investigadores em uma delação premiada sobre o assassinato de Marielle Franco é corroborada por diversas provas colhidas pelos investigadores. Os detalhes constam na decisão do juiz Gustavo Gomes Kalil, da 4ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, que decretou a prisão preventiva de Maxwell Simões Corrêa e foram revelados pelo site UOL, que teve acesso ao documento nesta terça-feira 25.

O primeiro ponto citado que reforça a versão apresentada na delação de Queiroz diz respeito ao planejamento do assassinato. Segundo o delator, Ronnie Lessa e Suel – como é conhecido o ex-bombeiro Maxwell Simões – teriam feito uma campana nos dias 1 e 2 de fevereiro para acompanhar e registrar a rotina da vereadora. Os registros de Estações Rádio-Base (ERB) mostram que os dois ex-militares estavam no local e no Cobalt usado no monitoramento e depois no crime.

O registro da placa do carro (feito por OCR – Optical Character Recognition, um sistema de reconhecimento de caracteres por imagens usado para identificar a circulação de veículos) também foi usado pelos investigadores para confirmar a delação de Élcio de Queiroz.

Um segundo ponto citado pelo juiz na decisão é o de que, na delação, Queiroz diz que, no dia do crime, Ronnie Lessa – autor dos disparos – teria trocado de local no Cobalt assim que o carro parou próximo a Casa das Pretas, ponto de onde Marielle saiu antes de ser assassinada. Ele estaria no banco do carona e passou, com o carro parado, para o banco de trás do veículo. Segundo os investigadores, o relatório de imagens preliminares da Delegacia de Homicídios de 26 de março de 2018 identifica um “balanço anormal no carro e um braço no vidro traseiro.”

Élcio de Queiroz contou, ainda, que, ao dirigir o veículo que seguia Marielle e Anderson Gomes no dia do assassinato, ele teria ficado preocupado com a velocidade com que o carro da vereadora se deslocava. Ele temia que não fosse alcançar o veículo, mas foi tranquilizado por Lessa, que sabia exatamente para onde Marielle se deslocava. No Cobalt, conta Queiroz, Lessa afirmou que a vereadora iria em um bar cuja dona havia sido agraciada por uma medalha. Eles então acessaram o perfil da vereadora e confirmaram se tratar do Dida Bar.

Após a confirmação do destino, com o carro de Marielle ainda em deslocamento, foi que Lessa pediu para que as janelas fossem alinhadas e efetuou os disparos. Queiroz diz ter ouvido a rajada de tiros, além de ter sentido cápsulas caírem no seu pescoço, mas alega que não viu se os tiros atingiram a vereadora. Após os disparos, disse, as cápsulas foram descartadas em uma linha de trem.

O Cobalt usado no crime foi escondido no Méier, na casa da mãe de Lessa, e os envolvidos no crime pegaram um táxi do esconderijo para um bar. O táxi, disse Queiroz, foi solicitado por Denis Lessa, irmão de Ronnie. Sobre este ponto, duas provas colhidas pelos investigadores comprovam o relato da delação. Primeiro, um ofício à Cooperativa de Táxi confirmou o pedido do veículo em nome de Denis Lessa próximo ao horário citado por Queiroz. Depois, aponta o juiz, há registro do deslocamento do delator da casa no Méier para o bar também no horário citado.

Por fim, a delação aponta também que, no dia seguinte ao crime, Maxwell e Ronnie voltaram ao Méier com a missão de descaracterizar o veículo usado para o ataque. A intenção era trocar a placa e limpar os vestígios do Cobalt escondido na casa da mãe do ex-policial. Novamente, os registros de Estações Rádio-Base (EBR) e imagens da placa (OCR) reforçam a delação. O carro que vai rumo ao Méier, segundo a polícia, é o Evoque de Ronnie Lessa. Há também um registro de ligação telefônica de Suel para Edilson Barbosa dos Santos, conhecido como Orelha, que seria, segundo Queiroz, o responsável pela troca da placa. A ligação foi feita 30 minutos após Lessa e Maxwell chegarem ao local que Queiroz aponta na delação.

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