Bolsonaro tenta se eximir de responsabilidade e culpa Dilma por alta na conta de luz

Dilma deixou a Presidência em 2016, cinco anos atrás. No ínterim, o Brasil foi governado por Michel Temer (MDB)

Foto: Reprodução

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Política

O presidente Jair Bolsonaro mais uma vez tentou se eximir da responsabilidade sobre a crise econômica que o Brasil atravessa desde o início da sua gestão. Em Belo Horizonte (MG), onde discursou nesta quinta-feira 30 em alusão aos mil dias de governo, o ex-capitão buscou culpar Dilma Rousseff (PT) pela alta registrada nas contas de energia elétrica. A petista deixou a Presidência há cinco anos, em 2016. No ínterim, o Brasil foi governado por Michel Temer (MDB), hoje próximo de Bolsonaro.

“A senhora Dilma Rousseff, pra ficar bem na fita, com uma canetada diminuiu a energia elétrica. Quando veio a conta pra pagar… Porque se não teríamos apagões no Brasil… As contas foram reajustadas. Não estou me esquivando da minha responsabilidade”, disse Bolsonaro, logo após tentar se esquivar de sua responsabilidade.

O presidente também voltou a culpar o PT pela alta nos preços dos combustíveis. Segundo ele, gestões anteriores teriam ‘deixado um rombo’ na Petrobras para o atual governo pagar.

“A Petrobras, que nós reclamamos do preço do combustível, reclamamos com razão. Só em refinarias que foram anunciadas e não foram construídas, o prejuízo deixado pra nós foi de 230 bilhões de reais. Vocês estão pagando essa conta”, afirmou, sem fornecer outros detalhes que corroborassem a tese.

Jair Bolsonaro voltou também a culpar governadores, a pandemia e o lockdown pela alta no preço dos alimentos no Brasil. Segundo disse, o seu governo não teria culpa e a inflação seria uma consequência sentida no mundo todo.

“Hoje reclamamos também de inflação no Brasil, que está alta. Sim está bastante alta, mas qual a consequência disso? Por que esse desequilíbrio? Vem de pouco tempo, a partir de março do ano passado, onde nós vimos a política do ‘fique em casa, a economia a gente vê depois’”, destacou.

Protesto e vaias

Durante o evento, Bolsonaro foi ainda interrompido por uma manifestante que protestava contra o governo. A mulher, cuja imagem não foi exibida pelas transmissões oficiais, foi vaiada por apoiadores do presidente.

“Não vou ofender essa senhora que proferiu essas palavras que não deu pra entender”, afirmou para, em seguida, dizer duas vezes que a mulher não era inteligente.

Após o episódio, Bolsonaro voltou a repetir o que disse em entrevista recente, que terá prazer em debater com Lula se ambos forem candidatos em 2022. “Vamos comparar os 12 anos dele, com quatro do meu governo”.

Antes mesmo de iniciar seu discurso, Bolsonaro já havia feito uma intervenção no evento exibindo um rifle de brinquedo, como se atirasse para o alto, ao lado de uma criança vestida de policial. No episódio foi à tribuna e justificou dizendo que ‘assim foi criada a sua geração’.

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Repórter do site de CartaCapital

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