Bolsonaro tenta se eximir de responsabilidade e culpa o PT pela alta nos combustíveis

A militantes no cercadinho do Palácio da Alvorada, o ex-capitão afirmou que 'se estiverem insatisfeitos, tem eleição no ano que vem'

O presidente Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução/Redes Sociais

O presidente Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução/Redes Sociais

Política

O presidente Jair Bolsonaro se eximiu de responsabilidade pelo aumento nos preços dos combustíveis e tentou lançar a culpa sobre o PT, que deixou o poder em 2016.  O episódio se deu durante interação com apoiadores na porta do Palácio da Alvorada na noite desta segunda-feira 27.

 

 

“Estava discutindo hoje a questão do combustível no Brasil. É no mundo todo o problema, não é só aqui, não. A pandemia desajustou a economia. Agora, tem agregada a isso uma carga tributária imensa”, afirmou Bolsonaro. Segundo ele, “não dá para fazer milagre”.

“Eu não sou dono da Petrobras. Não posso falar ‘não aumenta’. Nove instituições regulam a Petrobras”, acrescentou. “Subiu lá fora o petróleo, subiu o dólar aqui, o aumento é automático. Não tem como resolver a curto prazo esse negócio aí”.

Aos militantes no cercadinho, o ex-capitão ainda disse que o País está há três meses sem reajustar o preço do diesel e que um aumento acontecerá “daqui a pouco”.

“Não posso fazer milagre. Quem arrebentou com a Petrobras foi o PT. Mais de 200 bilhões de reais gastos com refinarias que não aconteceram. É a conta para quem bota combustível no carro pagar”.

Bolsonaro mencionou, por fim, o pleito presidencial de 2022. “Se estiverem insatisfeitos comigo, tem eleição no ano que vem, é só mudar lá, não tem outro caminho. Agora, garanto a vocês que não tem roubalheira e tem empenho da gente”.

Petrobras nega mudança na política de preços

O presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, rejeitou nesta segunda promover qualquer mudança na política de preços da empresa. Em agosto, os combustíveis tiveram alta de 2,96%: o reajuste da gasolina chegou a 2,80%, o do etanol a 4,50% e o do óleo diesel a 1,79%. Em 12 meses, a gasolina subiu 39,1%, o etanol disparou 62,3% e o diesel avançou 35,4%.

“Com relação a tendências futuras, é muito complexo tomar uma posição, se vai baixar ou não vai, particularmente em relação à gasolina”, disse Luna em entrevista coletiva.

“Não há nenhuma mudança na política de preços da Petrobras. Continuamos trabalhando da forma como sempre trabalhamos”, acrescentou. Questionado sobre os preços, afirmou que a empresa “responde por sua parte” e que “há uma ansiedade de muito tempo para simplificar a tributação sobre combustíveis”.

Luna declarou que a Petrobras recebe cerca de 2 reais por litro de gasolina na bomba, parcela que se destina “a cobrir custos de exploração, produção e refino do óleo, investimentos permanentes, juros da dívida, impostos e participações governamentais”. Também detalhou a composição de preços do diesel e do GLP.

O presidente da Petrobras ainda disse que a empresa presta apoio ao País no combate à crise energética e tem agido para ampliar a oferta de gás para termelétricas. Afirmou, por fim, que a companhia tem responsabilidades sociais, citando como exemplos o pagamento de tributos na ordem de 552 bilhões de reais entre 2019 e 2021 e o pagamento de dividendos à União, de aproximadamente 2,2 bilhões em 2020.

A manifestação da Petrobras se deu horas depois de uma solenidade, em Brasília, alusiva aos mil dias do governo de Jair Bolsonaro. No evento, o ex-capitão mencionou os preços dos combustíveis.

“Temos muitos obstáculos. São intransponíveis? Não, mas depende do entendimento de cada um. Alguém acha que eu não queria a gasolina a 4 reais ou menos? O dólar a 4,50 ou menos? Não é maldade da nossa parte, é uma realidade”, afirmou. “E tem um ditado que diz: ‘Nada está tão ruim que não possa piorar’. Não queremos isso”.

Bolsonaro também declarou ter conversado com o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, sobre como “melhorar ou diminuir” os preços dos combustíveis “na ponta da linha”.

“Conversamos sobre o que podemos fazer para diminuir o preço na bomba. Nós temos que ter conhecimento sobre o que está acontecendo”.

 

Responda nossa pesquisa e nos ajude a entender o que nossos leitores esperam de CartaCapital

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Compartilhar postagem