Política

Bolsonaro também foi vítima de hackers, diz Polícia Federal

Ainda de acordo com a PF, um dos suspeitos detidos teria confirmado a invasão no celular do ministro Sérgio Moro

Foto: Isac Nóbrega/PR
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O celular do presidente Jair Bolsonaro também teria sido alvo do grupo de hackers presos na última terça-feira 23, segundo informou a Polícia Federal (PF) ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Bolsonaro teria sido avisado sobre o fato por uma questão de segurança nacional.

Na quarta-feira 24, autoridades ligadas à investigação afirmaram que Walter Delgatti Neto, um dos suspeitos detidos, confirmou em depoimento que foi o responsável por invadir o celular do ministro Sérgio Moro, em junho, e de centenas de autoridades hackeadas. Apontado como principal suspeito, ele estaria colaborando com as investigações e permitindo acesso a todos os arquivos eletrônicos, de acordo com investigadores.

Desde que a operação Spoofing foi deflagrada pela PF, a fim de investigar a invasão do celular de Moro, de um desembargador, um juiz federal e dois delegados da Polícia; foram presos quatro suspeitos: Walter Delgatti Neto, Danilo Cristiano Marques e o casal Gustavo Henrique Elias Santos (o DJ Guto) e Suelen Priscila de Oliveira. Neto e Marques estão na carceragem da Polícia Federal; já o casal se encontra na sala de custódia do aeroporto, por questão de espaço.

A PF também afirmou que apreendeu quase 100 mil reais na casa de Gustavo Elias Santos. Segundo o seu advogado, a origem do dinheiro é lícita, já que ele opera no mercado de bitcoin, moeda virtual.

Os presos são suspeitos de hackear ou terem envolvimento na invasão de mais de mil números de celulares, entre eles, o do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro; o do desembargador federal Abel Gomes; do juiz federal Flávio Lucas; e dos delegados Rafael Fernandes, da PF de São Paulo, e Flávio Vieitez Reis, da PF de Campinas. Há indícios de que o ministro da economia Paulo Guedes também seja uma das vítimas.

A operação da PF acerca dos supostos hackers levantou suspeitas de ser uma investida contra a publicação de mensagens, pelo site The Intercept Brasil, que colocam dúvidas na imparcialidade da Lava Jato.

O editor do The Intercept, Leandro Demori, havia dito, em 15 de julho, em sua conta no Twitter, que uma parte truculenta e sem escrúpulos das forças de ordem estariam tramando uma farsa e uma agressão contra a liberdade de imprensa no Brasil. Após o mandado de prisão dos suspeitos, Demori resgatou a publicação e escreveu: “Atrasou e chegou hoje, pelo visto. Estamos de olho”. O também editor do portal, Rafael Moro Martins, postou em sua rede social que, dias atrás, teve informações de que a Polícia Federal se preparava para tentar desacreditar a autenticidade do material.

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