Bolsonaro: ‘Pelo amor de Deus, Omar Aziz, encerra essa CPI’

O presidente da República voltou a atacar os senadores que conduzem os trabalhos da CPI da Covid

O presidente da República, Jair Bolsonaro. Foto: Isac Nóbrega/PR

O presidente da República, Jair Bolsonaro. Foto: Isac Nóbrega/PR

Política

O presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar o senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI da Covid, que apura omissões no combate à pandemia. Em transmissão ao vivo nesta quinta-feira 27, Bolsonaro rechaçou um projeto de lei de autoria de Aziz que tipifica como crime a prescrição de produtos terapêuticos ou medicinais sem comprovação científica.

 

 

 

No PL 1912/2021, Aziz propôs a detenção entre seis meses e dois anos para quem “prescrever, ministrar ou aplicar produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais sem a comprovação científica de sua eficácia no tratamento da doença apresentada pelo paciente”. O texto, porém, foi retirado das proposições, por solicitação do próprio senador.

Bolsonaro reclamou do projeto porque está comprometido com a propaganda da cloroquina para o tratamento da Covid-19, mesmo sem eficácia comprovada.

“Se um médico prescrevesse aquilo para mim, tu sabe o que ia acontecer com esse médico? Três anos de cadeia. Três anos para o médico que prescrevesse aquilo que eu tomei e fiquei bom para combater a Covid-19”, disse Bolsonaro. “Se eu voltasse a falar aquilo que eu mostrei para a ema, eu também pegaria três anos de cadeia.”

Em seguida, Bolsonaro fez uma série de ironias sobre a atuação do parlamentar.

“Omar Aziz, parabéns, Omar Aziz, presidente da CPI. Tu, que é do estado do Amazonas, tô no teu estado aqui. Que vergonha, hein?”, debochou. “Anteontem eu divulguei o projeto, não critiquei, apresentei e disse ‘teça seus comentários’, não falei nada. Trinta minutos depois, o Omar retirou o projeto, tá aqui o requerimento dele, em caráter definitivo. Esse é o presidente da CPI.”

O presidente disse que vetaria o projeto caso fosse aprovado no Parlamento e aproveitou para alfinetar a CPI.

“Olha, eu não tô criticando o Senado, não, nem criticando todas as CPIs. Tem brilhantes parlamentares na CPI da Covid. Agora, Omar Aziz, pelo amor de Deus, né… Eu não quero entrar em detalhes aqui para discutir como era a saúde no teu estado no tempo em que o senhor foi governador aqui. E o que aconteceu depois, quem administrou a saúde no seu estado, não vou entrar em detalhe. Mas o projeto foi retirado 30 minutos depois que eu divulguei nas mídias sociais.”

Bolsonaro questionou, com tom irônico, se Aziz “não tem assessoria para falar ‘olha, você está interferindo na questão do off-label“, referindo-se ao tratamento de um paciente com um medicamento sob uso divergente do que consta na bula, ou seja, com outra finalidade. A prática é legalizada, mas estudiosos apontam perigos para a sua adoção no caso da cloroquina para a Covid-19.

O presidente, então, tornou a criticar Aziz.

“Omar Aziz, pelo amor de Deus, Omar Aziz, encerra logo essa CPI e vem aqui fazer outra coisa. Ficar no Senado, pelo amor de Deus. Podia dizer quem foi que te assessorou, né? Vocês querem tanto saber quem é que me aconselha”, disse, sugerindo que o pastor Silas Malafaia seja convocado à CPI. “Convoca o Malafaia, pô, tão com medo do Malafaia? Ou tá com medo dos evangélicos?”, pediu.

Bolsonaro também fez ataques homofóbicos ao vice-presidente da CPI, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que propôs a convocação do presidente da República.

“Agora, tem uma saltitante na comissão querendo me convocar. É brincadeira, né? Ô, saltitante! É brincadeira, não tem o que fazer não, ô, saltitante?”, agrediu o presidente.

Conforme mostrou CartaCapital, Bolsonaro tem usado formas alternativas para se referir à cloroquina, para evitar que suas lives sejam derrubadas pelas plataformas. O YouTube removeu 11 vídeos do presidente, a maioria por menção ao medicamento, segundo a empresa de análise de dados Novelo Data.

 

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