Como Bolsonaro dribla o YouTube para seguir recomendando cloroquina

Termos como 'remédio que ofereci a ema', 'tratamento off label' e 'remédio de verme' são usados para evitar punições; material segue no ar

O presidente Jair Bolsonaro, em campanha pelo uso da hidroxicloroquina. Foto: Reprodução/Facebook

O presidente Jair Bolsonaro, em campanha pelo uso da hidroxicloroquina. Foto: Reprodução/Facebook

Política

Na manhã desta quinta-feira 27, o YouTube derrubou 11 vídeos do canal oficial do presidente da República, Jair Bolsonaro, em que ele recomendava o uso de cloroquina contra Covid-19. Mas há outros vídeos do presidente defendendo o uso do tratamento sem eficácia que continuam no ar.

CartaCapital encontrou ao menos outros quatro vídeos deste ano (existem outros mais antigos) em que ele recomenda o uso do medicamento.

Em um deles, Bolsonaro admite que não vai usar o nome do medicamento para driblar as regras de segurança da plataforma. Na ocasião ele se refere à cloroquina como “o remédio que ofereci para a ema”.

“A CPI não quer investigar desvio de recurso. Querem falar sobre – para não cair a live – aquele negócio que o povo usa para combater a malária. Eu tomei lá atrás em junho, julho e no dia seguinte eu estava bom. E vou dizer: há poucos dias eu estava me sentindo mal e tomei por precaução aquele remédio que ofereci para ema há um tempo atrás”, afirmou em sua live semanal do dia 20 de maio.

 

E ele prosseguiu: “Aposto que dos 81 senadores ao menos 10 tomaram o remédio que ofereci para ema e aquele outro para matar verme. A esquerda não toma porque eles são vermes”.

Já em outra live na porta do Alvorada, do dia 8 de maio, ele volta a falar sobre tratamento precoce. “A CPI é um vexame, só fala em cloroquina, mas o cara que é contra não dá outra alternativa. Tenho certeza que teve gente aqui que tomou. (Nesse momento vários apoiadores levantam a mão). Eu tomei. Voltando de Rondônia vamos fazer vídeos com os 22 ministros que tomaram dizendo que tomaram”.

Em 4 de fevereiro, o presidente usa um argumento que tem sido amplamente usado pelos defensores da cloroquina. “Se não faz mal, o médico falou para você que não está previsto naquela bula, não provoca arritmia porque não tomar? Eu tomei”. Em outra, em 21 de janeiro ele critica o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta por não recomendar o tratamento precoce.

Foto: EVARISTO SÁ/AFP

O chamado “kit Covid” ou tratamento precoce é composto por cloroquina, hidroxicloroquina, vitamina D, Ivermectina e outros medicamentos não tem comprovação de eficácia e, inclusive, já há casos de mortes por superdosagem, além de promover efeitos nefastos no fígado e outros órgãos. Segundo tem apurado a CPI, em uma das teses, a cloroquina tornou-se programa de governo com objetivo de alcançar a imunidade de rebanho e evitar queda na economia.

A derrubada dos onze vídeos pelo YouTube faz parte da atualização de critérios da rede feita em abril que prevê a remoção de vídeos que recomendem cloroquina ou ivermectina para tratar a Covid. CartaCapital entrou em contato com a plataforma e aguarda retorno.

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Repórter da revista CartaCapital

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