Bolsonaro muda discurso sobre fundão e diz que não tomará ‘vacina lá de São Paulo’

Desde que o fundo foi aprovado pelo Congresso, Bolsonaro já mudou ao menos 5 vezes o discurso sobre o valor que será sancionado

Foto: Reprodução/Redes Sociais

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Política

O presidente Jair Bolsonaro novamente mudou parte do seu discurso sobre a sanção do fundo eleitoral. Dessa vez, a promessa é de um ‘fundão’ menor do que 2,85 bilhões de reais para 2022. A declaração foi dada em entrevista à rádio 96 FM, do Rio Grande do Norte, nesta quarta-feira 4.

Ao ser questionado se teria acertado com o Congresso um valor de 4 bilhões de reais, como afirmou no início da semana passada, o presidente recuou:

“Vai ser menos do que isso [4 bilhões]. Eu tenho que cumprir a Lei, não posso vetar ou sancionar o que vem na minha cabeça. Vamos pegar o que foi gasto em 2018, aplicar a correção monetária e sancionar isso daí”, explicou. “Vai dar menos da metade do que foi aprovado no parlamento.”

O valor aprovado pelo Congresso é de 5,7 bilhões de reais. A metade, portanto, é de 2,85 bilhões de reais. Mesmo com a redução prometida, o montante segue distante dos 800 milhões de reais que Bolsonaro é obrigado a sancionar, segundo parecer da Consultoria de Orçamento e Fiscalização da Câmara dos Deputados.

A declaração desta quarta é uma nova mudança no discurso de Bolsonaro. Essa é a quinta vez que o mandatário altera a sua posição sobre o montante que será vetado.

No dia 20 de julho, Bolsonaro prometeu vetar integralmente os 5,7 bilhões. Seis dias depois, recuou e passou a tratar como obrigação legal aprovar 4 bilhões de reais. No dia seguinte, 27 de julho, novo recuo: Bolsonaro passou a falar apenas em ‘excesso’ e não mais garantir valores. Na sexta-feira, o presidente foi além e afirmou não saber o valor final do seu veto.

100 anos de sigilo

Na entrevista, Bolsonaro se esquivou de perguntas sobre a imposição de sigilo de 100 anos aos dados de acesso dos seus filhos ao Planalto. Questionado, misturou dados e alegou que a imposição é apenas para proteger seus dados pessoais referentes à vacinação.

“O que diz a lei é que meus dados pessoais podem ter sigilo de até 100 anos. O que pediram para mim? Foi minha cartela de vacina. Isso é pessoal meu. Nós aqui temos direito por lei. Agora vou entregar minha carteira de vacina? Daqui a pouco vou entregar coisas pessoais. Então não tem nada de esquisito, nada de anormal no que foi feito”, explicou sem justificar, no entanto, a imposição de sigilo na questão dos dados de acessos dos filhos.

Bolsonaro diz que será o último a se vacinar

Ao ser questionado se irá tomar vacinas, Bolsonaro afirmou que será o último na fila para se vacinar e que não tomará a Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan em São Paulo.

“Eu serei o último da fila. Já que você tem muita gente apavorada para tomar vacina, não é justo que o chefe de Estado vá na frente do cidadão comum. Então vou ser o último da fila”, afirmou. “Eu vou tomar vacina que eu possa entrar no mundo todo. Não posso tomar essa vacina lá de São Paulo, que não aceita na Europa, nem nos Estados Unidos”, acrescentou Bolsonaro.

Na entrevista, o presidente minimizou também os gastos públicos com as motociatas que está promovendo ao longo dos últimos meses. Os gastos com os passeios já passam de 1,2 milhão de reais. Apenas no último sábado 31, em Presidente Prudente, os custos aos cofres públicos foram de 300 mil reais.

Segundo Bolsonaro, os passeios não promovem um gasto extra, já que o aparato de segurança utilizado é o mesmo do que se estivesse em Brasília e que os passeios são feitos sempre que viaja a trabalho, sem gerar despesas maiores com o deslocamento.

Bolsonaro também voltou a atacar os trabalhos da CPI da Covid no Senado e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso.

Na conversa, disse ainda que no seu governo não irá mais demarcar terras indígenas e afirmou que índios brasileiros não sabem o que é dinheiro.

“Por que o campo está feliz com a gente? Porque nós não demarcamos mais terra indígena. Já temos 14% demarcada como terra indígena. Chega”, afirmou.

Um pouco antes, Bolsonaro havia criticado um contrato da Fundação Nacional do Índio (Funai) com a Universidade Federal Fluminense que previa o desenvolvimento de uma criptomoeda para populações indígenas. A parceria previa um custo de 45 milhões de reais e foi cancelada pelo governo federal.

“A Funai tinha destinado 50 milhões de reais pro índio mexer com bitcoin. Pra índio que em grande parte, com todo o respeito, mal sabem o que é dinheiro”, destacou.

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Repórter do site de CartaCapital

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