Política

Bolsonaro critica decisão de Pacheco e promete continuar cruzada contra ministros do STF

‘Continuaremos aqui no limite, dentro das quatro linhas, para buscar liberdade pro nosso povo’, garantiu o presidente

Foto: Reprodução/Redes Sociais
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Um dia depois da decisão do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), de arquivar o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, o presidente Jair Bolsonaro comentou a decisão. Em entrevista à rádio Jornal Pernambuco nesta quinta-feira 26, o mandatário disse lamentar a posição do parlamentar, mas garantiu que continuará sua cruzada contra o ministro da Suprema Corte.

“Lamento a posição do senhor Rodrigo Pacheco no dia de ontem, mas continuaremos aqui no limite, dentro das quatro linhas, para buscar liberdade pro [sic] nosso povo”, prometeu Bolsonaro.

Na conversa, Bolsonaro se mostrou bastante insatisfeito com o senador que teve seu apoio para chegar à presidência da Casa.

“O senhor Pacheco entendeu e acolheu [orientação] da sua advocacia lá do Senado. Agora, quando chegou uma ordem do ministro Barroso para abrir a CPI da Covid, ele mandou abrir e ponto final. Então, ele agiu de maneira diferente de como agiu no passado”, declarou.

De acordo com o chefe do Planalto, ele seguirá lutando contra o que considera um abuso da parte de Moraes, em especial os decretos de prisão contra seus apoiadores.

“Nós sabemos, vocês sabem, que nessa briga eu estou praticamente sozinho nela. O que são as acusações contra o Alexandre de Moraes, ele praticamente ignora a Constituição. Ele abriu um inquérito de fake news que nem tá tipificado no Código Penal. No Código Penal nem está escrito a palavra fake news”, disse. “Simplesmente ele começa a investigar qualquer um. Ele prende e tira a liberdade, como tá sem liberdade agora o Roberto Jefferson, como tá o jornalista Eustáquio, em prisão domiciliar, como também o deputado Daniel lá do Rio de Janeiro”, acrescentou.

O presidente passou então a destacar que a sua participação no dia 7 de setembro será justamente mais um passo nesta cruzada ‘em favor da liberdade do povo’. Descartando qualquer risco de ruptura institucional, Bolsonaro disse que as manifestações serão apenas ‘uma fotografia do que o povo quer’.

Segundo explicou, o tom golpista que ganhou o ato é uma tentativa de minar sua imagem, já que ‘qualquer um’ que faça uma ameaça e tenha ‘algum tipo de ligação com ele’, é tomado como um porta-voz de seu governo, citando o caso do deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ) que ameaçou uma ‘guerra civil’ em favor do governo.

“Qualquer pessoa que fala algo, que exagera, que extrapola, se ela tem qualquer ligação comigo, se tem um plástico no seu carro escrito Bolsonaro, o pessoal vincula a mim como se fosse meu porta-voz. O que eu entendo do senhor Otoni de Paula é que ele é uma pessoa que vota grande parte das matérias conosco, já tive algumas vezes com ele e ele tem toda liberdade de se expressar. Mas não acredito em guerra civil, não provocamos e nem queremos isso daí”, afirmou.

Mais adiante, reforçou que o ‘movimento do dia 7, como todos os outros feitos por pessoas simpáticas ao governo, serão movimentos extremamente pacíficos’, passando então a atacar os atos contrários ao seu governo previstos para o mesmo dia: “O outro lado quando vai pra esses movimentos, como os Antifas, o pessoal do MST, com bandeira vermelha, foice e martelo, eles depredam agências bancárias, eles tocam fogo em pneus nas ruas, eles atiram pedras em policiais, nós não fazemos isso dai”.

Na conversa, ele cobrou ainda a participação de outros políticos nos movimentos pelo Brasil.

“Seria bom que os políticos de todo o Brasil compareçam nesses movimentos e usem da palavra pra tranquilizar, pra mostrar o que ele tá fazendo e o que ele pode fazer pela população”, cobrou. “Democracia e liberdade acima de tudo, essa é a nossa agenda para o dia 7 de setembro”, finalizou.

Voto impresso

Durante a entrevista, Bolsonaro foi questionado se iria seguir na defesa do voto impresso, principal bandeira nos últimos meses, que foi derrotado em votação na Câmara dos Deputados.

“Não é que eu não vou falar mais nisso [voto impresso], eu não vou potencializar em cima disso. Estamos trabalhando em outra frente”, respondeu sem fornecer detalhes sobre o que seria esta ‘outra frente’.

“Nós queremos eleições no que vem, ninguém falou que não queremos eleições ano que vem, nós queremos sim, mas eleições democráticas, limpas”, acrescentou em seguida.

Marco temporal

O presidente também aproveitou a entrevista para defender a aprovação do marco temporal no Supremo Tribunal Federal. A corte iniciou nesta quarta-feira 25 a análise do tema que muda a compreensão sobre a demarcação de terras indígenas no Brasil. O presidente fez uma projeção alarmista sobre o julgamento:

“Se o Supremo mudar o seu entendimento sobre o marco temporal, vem uma ordem para eu demarcar como terra indígena o equivalente a uma região sudeste. […] Simplesmente não teremos mais agricultura no Brasil, o Brasil estará fadado a viver não sei como, talvez importando alimentos, agora pagando com que dinheiro? Também não sei”, disse.

Desde o dia 22, mais de 6 mil indígenas reúnem-se no Distrito Federal no acampamento ‘Luta pela vida’, contra projetos como o Projeto de Lei 490 e a tese do Marco Temporal, que podem afetar a demarcação de 303 terras indígenas em andamento no País.

Em reportagem, CartaCapital conversou com especialistas que rebatem a tese do presidente e revelou tudo o que está em risco para os povos indígenas no julgamento.

Getulio Xavier

Getulio Xavier Repórter do site de CartaCapital

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