Bolsonaro confronta Paulo Guedes e nega “imposto do pecado”

É a segunda vez em uma semana que o presidente bate de frente com seus superministros

Jair Bolsonaro chega à Índia para viagem oficial (Foto: Alan Santos/PR)

Jair Bolsonaro chega à Índia para viagem oficial (Foto: Alan Santos/PR)

Política

Depois de criar um clima com Sérgio Moro com a ideia – logo depois descartada – de desmembrar o ministério da Justiça e Segurança Pública, Jair Bolsonaro se indispôs com mais um superministro. O contrariado agora foi Paulo Guedes e seu projeto de criar um “imposto do pecado”. O novo tributo seria taxado sobre cigarros, bebidas alcoólicas e produtos com açúcar.

Ao chegar em Déli, na Índia, e falar com os jornalistas, Bolsonaro vetou a criação do imposto. E ainda trocou os nomes dos ministros. “Ô Moro, aumentar a cerveja não, hein Moro”, disse o ex-capitão, confundindo o titular da Justiça com o da Economia. Depois corrigiu a gafe: “Ô Paulo Guedes, eu te sigo 99%, mas aumento no preço da cerveja, não”, reiterou.

Além de descartar a tributação sobre o álcool, o presidente negou qualquer tipo de taxação sobre produtos com açúcar, dizendo que “todo mundo consome algo de açúcar” e que por isso o aumento da carga tributária seria inviável.

Na quinta-feira 23, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, que solicitou estudos à sua equipe sobre a criação de um “imposto do pecado”.

“Eu pedi para simular tudo. Bens que fazem mal para a saúde. Caso [as pessoas] queiram fumar, têm hospital lá na frente”, disse o ministro.

Guedes passou quatro dias no Fórum. Na terça-feira 21, ele afirmou que o pior inimigo do meio ambiente é a “pobreza”, e que o motivo da degradação ambiental em grande escala se dá porque as pessoas “precisam comer”.

Embate com Moro

A ideia de repartir o ministério, que foi dado à Moro quando ele assumiu a pasta da Justiça, foi anunciada pelo próprio presidente nesta quinta-feira 23. Ao sair do Palácio do Planalto, Bolsonaro disse a jornalistas que a demanda pela repartição do ministério teria vindo de secretários estaduais de segurança pública. “Isso é estudado. É estudado com o Moro… Lógico que o Moro deve ser contra, mas é estudado com os demais ministros”, relatou.

Nesta sexta-feira 24, Bolsonaro recuou e disse que a chance de recriar a pasta da Segurança Pública no momento é “zero”. Mas não descartou a possibilidade. “Tá bom ou não? Tá bom, né? Não sei amanhã. Na política, tudo muda, mas não há essa intenção de dividir [o Ministério da Justiça]. Não há essa intenção”, completou o presidente ao chegar na Índia.

 

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