Bolsonaro ataca a imprensa de novo: “Jornalistas são raça em extinção”

Em declaração irônica, presidente disse que vinculará profissionais da imprensa ao Ibama

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que "pessoas com HIV são despesa para o país". Foto: Arquivo/Antônio Cruz/Agência Brasil

Política

Em mais um ataque à imprensa, o presidente Jair Bolsonaro afirmou, de forma irônica, nesta segunda-feira 6, que os jornalistas brasileiros são “uma raça em extinção” e que vinculará os profissionais ao Ibama. Bolsonaro havia sido perguntado se mantém conversas com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), sobre as reformas econômicas que estão na agenda dos parlamentares em 2020.

Em resposta, o presidente disse que sempre conversa com Maia e Alcolumbre, mas que não pretende “provocar uma crise”. Ele se referia à ordem do cronograma das reformas tributária e administrativa. Depois disso, Bolsonaro disse que, quem não lê veículos de imprensa não está informado, mas que, quem lê, está “desinformado”. “Vocês são uma espécie em extinção. Eu acho que vou botar os jornalistas do Brasil vinculados ao Ibama, vocês são uma raça em extinção”, disse o presidente.

Em seguida, ele criticou reportagem publicada em 3 de janeiro deste ano pelo portal UOL, vinculado ao grupo Folha. A matéria reportou que Bolsonaro tem apoiado a campanha “não vote em quem usa Fundão”, relacionado ao fundo eleitoral de 2 bilhões, mas lembra que, em 2014, usou verbas públicas que totalizaram 200 mil reais, segundo o veículo.

“Eu falei para vocês aqui, né, não votem em candidatos que usam o fundão. E o UOL falou: Bolsonaro falou para não votar em candidatos que usam o fundão, mas ele usou em 2014. O fundão é de 2017. É de uma imbecilidade. Lamentavelmente, né. Não vou dizer todo mundo aqui, para não ser processado em bloco pela ANJ [Associação Nacional de Jornais]. Mas é de uma imbecilidade, não sabe nem mentir mais. Não me acusem de ter crucificado Jesus Cristo não, por favor, tá certo? Então, esse tipo de informação atrapalha a todos vocês. Cada vez mais a gente não confia em vocês. E eu quero que vocês sejam realmente uma força no Brasil. É importante a informação, e não a desinformação ou fake news“, declarou.

Bolsonaro também afirmou ter cancelado “todos os jornais e revistas” do Palácio do Planalto porque “chegam envenenados”. Ele também voltou a acusar o jornal Folha de S. Paulo a publicar mentiras. Em 29 de novembro do ano passado, o presidente chegou a anunciar boicote aos anunciantes que veiculassem propagandas de seus produtos no jornal. A declaração ocorreu semanas após o Palácio do Planalto cancelar as assinaturas do veículo.

Ataques recorrentes

O presidente Jair Bolsonaro inicia 2020 retomando os ataques à imprensa que desferiu em 2019. Durante transmissão ao vivo em 7 de novembro, o presidente anunciou o cancelamento de assinaturas de CartaCapital pelo Planalto. “Também não vai ter mais a revista CartaCapital. Contrato assinado no ano passado. Para que assinar uma revista dessas? Só tem mentira. Não vou nem falar em fake news, fake news tem uma certa inteligência muitas vezes. Ali é mentira deslavada. Uma revista que lamentavelmente não presta para nada”, acusou o presidente, sem fazer referência a um conteúdo específico. “É uma medida econômica, nós estamos cortando despesas. Não é perseguindo a Folha, nem perseguindo a CartaCapital.”

 

O jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil, também recebeu uma série de ataques do presidente, após divulgar vazamentos de mensagens entre o ex-juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, durante a condução dos processos da Operação Lava Jato. Em 30 de julho do ano passado, Bolsonaro chamou Greenwald de “militante” e acusou-o de cometer ilegalidade ao noticiar os diálogos.

“Aqui, o Greenwald é jornalista? Ah tá, o Greenwald é jornalista? Ele é jornalista? Ele é militante. Eles já acharam 100 mil reais com gente deles lá”, disse a repórteres em Brasília. A declaração ocorreu dias após Bolsonaro afirmar que Greenwald poderia “pegar uma cana no Brasil”. O último caso de maior notoriedade em 2019 foi quando Bolsonaro disse a um repórter que ele tinha cara de “homossexual terrível”. Na ocasião, havia sido perguntado sobre o caso de corrupção que envolve o seu filho, Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). Ativistas de direitos humanos consideraram a fala como homofóbica e violenta.

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