Política

Bolsonaro acusa Barroso de querer manipular eleições e diz que ministro tem que ‘baixar a crista’

‘Ele virou um semideus? Ele acha que é intocável? Quem o seu Barroso pensa que é?’, questiona Bolsonaro

Foto: Reprodução/Redes Sociais
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O presidente Jair Bolsonaro novamente partiu para o ataque contra o presidente do Tribunal Superior Eleitoral e ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, e o acusou de querer manipular as eleições de 2022. As declarações foram dadas durante entrevista à rádio gaúcha ABC nesta segunda-feira 2.

“Ele [Barroso] quer eleições que possam ser manipuladas ou no mínimo que possam gerar dúvidas no futuro”, afirmou Bolsonaro. “Não pode meia dúzia de servidores, juntamente com o presidente do TSE, o ministro Barroso, contar os votos numa sala secreta. Ele anuncia o resultado que achar que é o verdadeiro, porque as urnas não são auditáveis, e fica por isso mesmo”, acrescentou.

Minutos antes, ele atacou pessoalmente Barroso e disse que o ministro precisa compreender os limites da sua atuação.

“Ele virou semideus? Ele acha que é intocável? Quem o seu Barroso pensa que é?”, questionou. “Todos os poderes têm limites, eu tenho limites. Por que alguns do Supremo acham que são donos da verdade e que podem tudo e ninguém pode reclamar de nada? Ele tem que ‘baixar a crista’ dele um pouquinho e se adequar a realidade”, completou.

Mais adiante, ainda sobre o voto impresso, o presidente afirmou, sem apresentar provas, que as eleições de São Paulo para prefeito em 2020 foram ‘mais do que suspeitas’.

“O pessoal me cobra prova de fraudes. Olha, os indícios que levam a prova. Em São Paulo, as eleições do ano passado na capital, com 0,39% [de urnas apuradas] o sistema travou e ficou parado por mais de 1 hora. Quando parou, tinha uma classificação do primeiro ao oitavo com um percentual de votos. Quando destravou, esses mesmos nessa ordem foram mantidos e mais ainda com os mesmos percentuais. Isso é impossível acontecer. Quer indício maior do que esse de que as eleições de São Paulo foram mais do que suspeitas?”.

Na entrevista, Bolsonaro voltou a atacar a cúpula da CPI da Covid no Senado Federal que retoma os trabalhos nesta terça-feira 3 e mentiu novamente sobre o Senado dos Estados Unidos estarem investigando a origem do coronavírus.

O presidente também justificou a chegada do senador Ciro Nogueira (PP-PI) à Casa Civil dizendo ser impossível governar sem o apoio do Centrão, postura bem diferente da que tinha antes ser eleito.

“Sente na minha cadeira e governe sem os votos de mais da metade dos parlamentares que são do Centrão. Venha aqui e governe sem eles”, desafiou.

Bolsonaro busca um partido em que possa indicar candidatos em São Paulo e no Rio de Janeiro

Na conversa, Bolsonaro confirmou que segue em busca de um partido para ‘chamar de seu’ e revelou algumas das condições para integrar uma nova legenda: poder indicar candidatos ao governo do Rio de Janeiro e de São Paulo.

“Obviamente indo para algum partido eu tenho um interesse. Por exemplo, eu gostaria de ter a legenda para governador de São Paulo, a legenda para governador do Rio, uma legenda para uns oito senadores no Brasil. Se chegar num acordo nesse sentido e for bom para outra parte, a gente faz um casamento com a certeza de que vai ser feliz por um bom tempo”, destacou o presidente.

Bolsonaro garantiu que a busca por um partido deve ser finalizada nos próximos meses. Ele afirma, porém, não estar fazendo campanha, mas apenas ‘se colocando em condições de ser candidato’ caso essa seja a escolha dele em 2022.

Getulio Xavier

Getulio Xavier
Repórter do site de CartaCapital

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