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Aplaudido, discurso de Lula na ONU critica países ricos e defende descentralização de poderes

De volta à Assembleia-Geral após 14 anos, o presidente reforçou o papel de porta-voz dos países emergentes nos fóruns globais

(Foto: Ricardo Stuckert)
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Em seu oitavo discurso na Assembleia-Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira 19, em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou a postura que tem adotado internacionalmente de se colocar como um porta-voz dos países emergentes nos fóruns globais. 

O presidente criticou abertamente a paralisia de instituições como o FMI e o Banco Mundial, além da OMC. Também se referiu ao BRICS como uma plataforma alternativa de realinhamento das forçar geopolíticas.

“A ampliação recente do grupo na Cúpula de Joanesburgo fortalece a luta por uma ordem que acomode a pluralidade econômica, geográfica e política do século 21”, declarou. “Somos uma força que trabalha em prol de um comércio global mais justo num contexto de grave crise do multilateralismo.”

Lula também foi aplaudido quanto tocou em temas espinhosos, como a prisão do jornalista Julian Assange e os embargos econômicos impostos há décadas pelos Estados Unidos contra Cuba.

Fome e desigualdade

Remetendo às outras participações suas no encontro, Lula foi enfático quanto à necessidade de se combater a fome e a desigualdade, destacando a falta de “vontade política” para combater as desigualdades.

“A fome, tema central da minha fala neste Parlamento Mundial 20 anos atrás, atinge hoje 735 milhões de seres humanos, que vão dormir esta noite sem saber se terão o que comer amanhã”, declarou.

“O destino de cada criança que nasce neste planeta parece traçado ainda no ventre de sua mãe. A parte do mundo em que vivem seus pais e a classe social à qual pertence sua família irão determinar se essa criança terá ou não oportunidades ao longo da vida”, completou.

O presidente ainda afirmou que a comunidade internacional está mergulhada “em um turbilhão de crises múltiplas e simultâneas”, das quais a desigualdade é a raiz, e também ressaltou que a Agenda 2030 da ONU “pode se transformar em seu maior fracasso”. 

“Estamos na metade do período de implementação e ainda distantes das metas definidas. A maior parte dos objetivos de desenvolvimento sustentável caminha em ritmo lento.

O imperativo moral e político de erradicar a pobreza e acabar com a fome parece estar anestesiado”, criticou. 

Para ele, a redução da desigualdade depende da inclusão do pobre nos orçamentos nacionais e da taxação adequadas dos ricos. 

Crise climática

O presidente também cobrou os países ricos quanto à recursos para se combater as crises climáticas e a proteção ao meio ambiente. 

“Os países ricos cresceram baseados em um modelo com altas taxas de emissões de gases danosos ao clima. A emergência climática torna urgente uma correção de rumos e a implementação do que já foi acordado”. 

“Os 10% mais ricos da população mundial são responsáveis por quase a metade de todo o carbono lançado na atmosfera. Nós, países em desenvolvimento, não queremos repetir esse modelo”, completou. 

Lula ainda cobrou os valores prometidos internacionalmente para a preservação ambiental. 

“Sem a mobilização de recursos financeiros e tecnológicos não há como implementar o que decidimos no Acordo de Paris e no Marco Global da Biodiversidade. A promessa de destinar 100 bilhões de dólares – anualmente – para os países em desenvolvimento permanece apenas isso, uma promessa”, disse.

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