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Em Nova York, Lula tem intensa agenda de encontros bilaterais antes da Assembleia da ONU

Lula permanece em Nova York até a próxima quinta-feira (21)

Foto: YAMIL LAGE / AFP
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpre uma agenda intensa a partir desta segunda-feira (18) em Nova York, antes de abrir a Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (19). A agenda do chefe de Estado brasileiro inclui uma reunião bilateral com o presidente Joe Biden sobre sindicatos e o futuro dos direitos trabalhistas.

Lula desembarcou na cidade americana na noite de sábado (16), vindo diretamente de Cuba, onde participou do encontro do G77 + China. Um pequeno grupo de apoiadores esperava o presidente na porta do Lotte Hotel, em Manhattan, mas Lula priorizou o descanso, e passou sem tirar fotos e mantendo o silêncio ante os repórteres que também aguardavam sua chegada.

A agitada agenda do presidente em Nova York teve início ainda no domingo, por volta das 18h (horário local), em um jantar com empresários promovido pela Fiesp e realizado no Hotel Fasano da Quinta Avenida.

Nesta segunda-feira, Lula dará início à maratona de encontros bilaterais, no próprio hotel em que está hospedado. Entre as pessoas com quem ele irá se reunir estão o presidente do Conselho Federal da Suíça, Alain Berset, e o ex-primeiro-ministro do Reino Unido Gordon Brown.

Na noite desta segunda-feira, Lula deve comparecer à recepção organizada pelo presidente Joe Biden e pela primeira-dama Jill Biden para receber os chefes de Estado no Metropolitan Museum of Art.

Na agenda do presidente ainda está prevista uma reunião preparatória para seu compromisso mais importante no país: abrir a sessão de chefes de Estado e de Governo da Assembleia Geral da ONU na terça-feira pela manhã. Desde a primeira reunião geral de líderes de países-membros das Nações Unidas, em 1949, o Brasil é o primeiro país a discursar.

Crise climática

Na abertura dos discursos este ano, Lula deve abordar temas como a preservação do meio ambiente, a proteção da Amazônia, além de voltar a cobrar mais investimento dos países ricos nesse sentido, como já fez em Cuba. O combate à desigualdade e a constantemente solicitada reforma no Conselho de Segurança da ONU também devem estar na pauta. Esta é a oitava vez que Lula abre uma Assembleia das Nações Unidas.

“Durante os oito anos em que fui presidente, eu falava com o Tony Blair, com o Gordon Brown, com a Angela Merkel, com o Bush, Obama, Sarkozy, Chirac, ou seja, eu falava com todo mundo da necessidade de reformular o Conselho de Segurança porque a ONU já não representa mais aquilo pelo qual foi criada. A ONU de 2023 está longe de ter a mesma credibilidade da ONU de 1945”, declarou o presidente Lula durante uma coletiva de imprensa no último dia 26 de agosto, em Angola.

Biden

O presidente Lula deverá se encontrar com Joe Biden na próxima quarta-feira (20), às 13h (horário local). Logo após a conversa, os dois devem anunciar a criação da “Iniciativa Global Lula-Biden para o Avanço dos Direitos Trabalhistas na Economia do Século XXI”.

Esta iniciativa é o resultado de uma conversa iniciada em agosto, durante uma um telefonema em que os presidentes se comprometeram a trabalhar juntos para promover e proteger os direitos dos trabalhadores, além de garantir a prosperidade inclusiva para os dois países e para o mundo, de acordo com a Casa Branca.

“O presidente [Biden] terá a oportunidade de realizar uma reunião bilateral com o presidente Lula, além de acompanhá-lo em um evento com líderes sindicais do Brasil e dos Estados Unidos para destacar o papel central e crítico que os trabalhadores desempenham na construção de uma sociedade sustentável, um mundo democrático, equitativo e pacífico”, confirmou o secretário de Estado americano, Jack Sullivan.

No final de agosto, Sullivan confirmou à imprensa que se reuniria com Celso Amorim para “discutir toda uma gama de questões, tanto bilaterais quanto globais”, no âmbito da Assembleia Geral da ONU.

Intercâmbio tecnológico

Antes de desembarcar em Nova York, o presidente brasileiro esteve em Havana, onde se reuniu com o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel. Este foi o terceiro encontro entre os dois desde que Lula assumiu a presidência.

Foto: Adalberto ROQUE / AFP

A visita de Lula à ilha marca a retomada de uma relação diplomática estreita com o país, perdida durante o governo Bolsonaro. A última vez que um chefe de Estado brasileiro visitou Havana foi quando a ex-presidente Dilma Rousseff esteve no país em 2014.

A expectativa era que fosse discutido o pagamento da dívida que Cuba tem com o Banco de Desenvolvimento brasileiro pelo financiamento da construção do Porto Mariel. O governo cubano suspendeu o pagamento em 2018. Também era aguardada a retomada de programas de cooperação interrompidos nos últimos quatro anos, como o Mais Médicos.

Em vez disso, de acordo com informações da Agência Brasil, o governo brasileiro assinou acordos de cooperação com Cuba que visam ampliar o intercâmbio tecnológico entre as duas nações nas áreas de Saúde, Ciência e Tecnologia e Agricultura.

Embargo econômico

O discurso proferido pelo presidente brasileiro diante dos líderes do grupo formado por 130 economias emergentes mais a China, no sábado, teve como objetivo posicionar mais uma vez o Brasil em uma posição crítica ao embargo econômico americano à ilha.

O presidente ainda condenou a nova inclusão de Cuba na lista dos países que não colaboram na luta contra o terrorismo, medida tomada pelo governo americano no ano passado.

“O Brasil é contra qualquer medida coercitiva de caráter unilateral. Rechaçamos a inclusão de Cuba na lista de Estados patrocinadores do terrorismo”, insistiu Lula.

Às vésperas de sua viagem ao Estados Unidos, Lula deixou claro em Cuba que o Sul Global não pode ser responsabilizado da mesma forma que os países mais ricos. “Sem esquecer que não temos a mesma dívida histórica que os países ricos pelo aquecimento global”, ressaltou.

COP30

Lula ainda cobrou mais investimentos por parte dos países ricos para financiar ações nos países em desenvolvimento que tenham como objetivo o combate ao desequilíbrio climático.

“É por isso que o financiamento climático tem que ser assegurado a todos os países em desenvolvimento segundo suas necessidades e suas prioridades. No caminho entre a COP28 em Dubai e a COP30 na cidade de Belém, no estado do Pará, será necessário insistir na implementação dos compromissos nunca cumpridos pelos países ricos”, lembrou Lula.

Fazem parte da comitiva brasileira os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieria, do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, da Fazenda, Fernando Haddad, o responsável pela pasta de Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, a ministra da Saúde, Nísia Trindade, o ministro da Secretaria-Geral, Márcio Macedo, e a ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, que já cumpre agenda na cidade desde domingo.

Também acompanham o presidente o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação, Paulo Pimenta, e outros cinco ministros e representantes de ministérios, que não fazem parte da delegação oficial, mas que estarão cumprindo agendas oficiais nos Estados Unidos.

Lula permanece em Nova York até a próxima quinta-feira (21). Ele tem programada uma conversa com a imprensa antes de embarcar de volta ao Brasil.

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