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Anderson Torres diz ao TSE que minuta golpista em sua casa era ‘loucura’ e ‘lixo’
O depoimento ocorreu no âmbito de uma ação que pode tornar Jair Bolsonaro inelegível
O ex-ministro da Justiça Anderson Torres depôs nesta quinta-feira 16 ao Tribunal Superior Eleitoral e classificou a minuta golpista encontrada em sua casa pela Polícia Federal como “texto folclórico”, “loucura” e “lixo”. Os detalhes da oitiva foram divulgados pelo jornal O Globo.
Torres prestou depoimento por videoconferência durante cerca de uma hora e meia. Ele está preso desde 14 de janeiro, por determinação do Supremo Tribunal Federal, sob suspeita de omissão nos atos golpistas do 8 de Janeiro.
A oitiva, comandada pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Benedito Gonçalves, ocorreu no âmbito da ação que apura uma reunião do então presidente Jair Bolsonaro (PL) com embaixadores em julho de 2022. O caso foi aberto a pedido do PDT, é o mais avançado na Justiça e pode tornar o ex-capitão inelegível.
O TSE quer obter detalhes sobre a minuta do golpe obtida na residência de Torres. A avaliação é de que o documento teria relação com as alegações infundadas de Bolsonaro sobre o sistema eleitoral durante o encontro com embaixadores.
No início de março, ao defender a manutenção da prisão de Torres, a Procuradoria-Geral da República contestou as afirmações do ex-ministro sobre a minuta. Embora o bolsonarista tenha argumentado que o documento era “descartável” e sem “viabilidade jurídica”, a PGR destacou que “não se trata de documento que seria jogado fora, estando, ao revés, muito bem guardado em uma pasta do governo federal e junto a outros itens de especial singularidade, como fotos de família e imagem religiosa”.
A ação do PDT, oficializada em agosto do ano passado, defende a inelegibilidade de Bolsonaro pela prática de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. A reunião com os embaixadores teve transmissão da TV Brasil.
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