Política
Sergipe: Alessandro Vieira é rifado de chapa governista após briga pública com líder do União Brasil
Pré-candidato à reeleição, o senador emedebista foi excluído do palanque do governador Fábio Mitidieri após declarações sobre o histórico judicial de André Moura
O senador Alessandro Vieira (MDB) foi retirado da chapa encabeçada pelo governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD), num movimento que expõe fissuras na base governista às vésperas da disputa eleitoral. Ex-delegado da Polícia Civil, Vieira pretendia concorrer à reeleição no palanque do atual governador, mas acabou alijado após um embate público com outro aliado, o ex-deputado federal André Moura (União Brasil).
Coube a Mitidieri anunciar a saída de Vieira. “A condição básica para uma composição de chapa é harmonia e alinhamento entre seus membros”, escreveu o governador nesta segunda-feira 23, reconhecendo que essa sintonia não foi alcançada. No mesmo texto, Mitidieri, declarou manter a amizade com o senador e destacou que ambos compartilham o objetivo de “ver Sergipe avançando”.
Procurado para comentar o assunto, o senador não atendeu aos telefonemas da reportagem. O espaço segue aberto.
Aliados de Vieira ouvidos por CartaCapital afirmam que ele apenas foi comunicado da decisão, sem participar da deliberação. Dias antes do rompimento, o senador havia se reunido com o secretário da Casa Civil, Luiz Mitidieri — pai do governador — para tratar das eleições, mas, segundo relatos, não houve qualquer menção à tensão crescente dentro do grupo.
O estopim foi uma declaração de Vieira em entrevista a uma rádio local. Ele insinuou que Moura “dormia com medo de ser acordado por policiais batendo à sua porta”, numa referência aos problemas judiciais enfrentados pelo ex-deputado. Moura foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por peculato, mas firmou em 2023 um acordo com a Procuradoria-Geral da República que suspendeu o cumprimento da pena de oito anos de prisão. Os termos do acordo seguem sob sigilo.
A reação foi imediata. Moura classificou a fala como um ataque que “ultrapassa todos os limites da política” e declarou que não havia condições de dividir o mesmo palanque. Aliados mobilizaram até uma moção de repúdio contra o senador na Câmara Municipal de Aracaju, gesto raro que evidenciou o grau de tensão.
Interlocutores do governador avaliam que o episódio rompeu um acordo tácito de não agressão firmado quando a chapa foi desenhada. Para Mitidieri, que tenta manter a coesão da base e evitar ruídos em sua campanha, o conflito representava risco eleitoral. Pela primeira vez, ele externou publicamente o incômodo com o embate, classificando a declaração como “desnecessária” e um desrespeito à chapa.
Daí o porquê de, pela primeira vez, o chefe do Executivo deixar explícito publicamente o seu incômodo com a troca de farpas entre Moura e Alessandro: “Entendo que aquilo incomoda mesmo, foi desnecessário. Ele desrespeitou a chapa, desrespeitou a todos nós. Espero que reconheça isso”, afirmou ele logo após o episódio, em entrevista à rádio FanFM.
A saída de Vieira reabre o jogo e pode beneficiar nomes que hoje orbitam o projeto governista, a exemplo de Rogério Carvalho, atual líder do PT no Senado, e o ex-prefeito de Aracaju Edvaldo Nogueira (PDT). Ambos nutriam o desejo de estar no palanque de Mitidieri, mas acabaram escanteados com o desenho inicial. Nos bastidores, a expectativa é que um encontro entre Mitidieri e o presidente Lula nas próximas semanas ajude a definir o impasse.
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