Política

Briga entre pré-candidatos ao Senado expõe fissura na base e coloca governador de Sergipe sob pressão

Declaração de Alessandro Vieira sobre histórico judicial de André Moura abriu crise e força Fábio Mitidieri a arbitrar o conflito

Briga entre pré-candidatos ao Senado expõe fissura na base e coloca governador de Sergipe sob pressão
Briga entre pré-candidatos ao Senado expõe fissura na base e coloca governador de Sergipe sob pressão
O ex-deputado André Moura, o governador Fabio Mitidieri, o deputado Jefferson Andrade e o senador Alessandro Vieira, em encontro que anunciou aliança nas eleições de 2026 - Foto: Reprodução/Instagram
Apoie Siga-nos no
Eleições 2026

O governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD), deve aproveitar o Carnaval para estancar a crise gerada pela briga entre os dois pré-candidatos ao Senado da sua chapa: o ex-deputado André Moura (União) e o senador Alessandro Vieira (MDB). Os dois nunca esconderam a rivalidade, mas o clima azedou nesta semana com declarações do emedebista que irritaram o chefe do Executivo estadual.

A contenda foi deflagrada após Alessandro afirmar, em entrevista a uma rádio local na quarta-feira 11, que seu colega de chapa dormia sob o temor de ser acordado com policiais batendo à sua porta. A declaração faz alusão aos problemas jurídicos que André Moura enfrentou no passado. O ex-deputado foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por peculato, mas assinou um acordo com a PGR em 2023 que o livrou de cumprir os oito anos de prisão a que foi sentenciado. Até hoje não se sabe os termos do arranjo, mantido em sigilo no STF.

Em conversas reservadas, aliados do senador — que antes de ascender à Casa Alta atuou como delegado no estado — sustentam que ele tem defendido a necessidade de preservar a imagem do grupo e evitar desgastes eleitorais antecipados. Já o entorno de André interpretou a declaração como ataque pessoal e uma tentativa de inviabilizar politicamente sua pré-candidatura.

O cacique do União Brasil reagiu às declarações no dia seguinte. Também em entrevista a uma rádio, disse ter ficado surpreso com o “ataque” que “ultrapassa todos os limites da política”. Segundo ele, não há condições de permanecer no mesmo palanque do seu detrator em respeito à sua família. Aliados de André também saíram em sua defesa, ao ponto de mobilizarem a votação, na Câmara de Vereadores de Aracaju, de uma moção de repúdio ao senador. Algo inédito na história do Parlamento municipal.

Entre interlocutores do governador, a avaliação é que o episódio representou a quebra de um pacto de não-agressão que teria sido articulado meses atrás, quando Mitidieri oficializou sua chapa à reeleição. A deterioração pública da relação entre os dois pré-candidatos pressiona o chefe do Palácio dos Despachos a assumir um papel de árbitro, cenário que ele vinha tentando evitar para preservar a unidade do bloco governista.

A reportagem apurou que o governador telefonou para André logo após a polêmica e combinou uma conversa presencial nos próximos dias. O encontro deve contar com a presença de Luiz Mitidieri, pai do mandatário e seu secretário da Casa Civil. Publicamente, Fábio fez questão de deixar explícito seu incômodo: “Entendo que aquilo incomoda mesmo, foi desnecessário. Ele desrespeitou a chapa, desrespeitou a todos nós. Espero que reconheça isso”, afirmou, em entrevista à FanFM.

Com duas vagas ao Senado em jogo em 2026, o impasse expõe não apenas uma disputa pessoal, mas uma queda de braço por espaço dentro da chapa governista. Uma eventual ruptura pode reabrir o jogo e beneficiar nomes que hoje orbitam o projeto governista, a exemplo de Rogério Carvalho, atual líder do PT na Casa, e o ex-prefeito de Aracaju Edvaldo Nogueira (PDT). Ambos anseiam estar no palanque de Mitidieri, mas foram escanteados com a definição por André e Alessandro.

Qualquer movimento neste sentido, contudo, envolve riscos. Uma aproximação com o PT exigiria reparar as arestas locais — o partido fazia oposição ao governo até pouco tempo e ainda restam mágoas no entorno de Fábio pela tensão no pleito de 2022, quando os petistas atuaram para barrar o uso da imagem de Lula na sua campanha. Logo, na avaliação de pessoas próximas ao governador, deixar de contemplar aliados históricos pode provocar fissuras difíceis de administrar.

De todo modo, o martelo sobre a disputa ao Senado deve passar pelo presidente da República, com quem o mandatário sergipano deve se reunir em março, numa agenda ainda em construção. No mês passado, o governador afirmouCartaCapital que não pretende alterar o desenho eleitoral para atender a pleitos externos. Integrantes de sua base, contudo, reconhecem que a engenharia desse desenho dependerá, também, do equilíbrio entre os interesses locais e a estratégia nacional do governo federal.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.

O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.

Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.

Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.

Quero apoiar

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo