Agora apoiador de Moro, Santos Cruz chama Bolsonaro de ‘Hugo Chávez brasileiro’

O general classificou Bolsonaro como um ‘traidor despreparado’ e disse que ataques a Moro são de ‘extremistas viciados em dinheiro público'

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Política

O general Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-braço direito de Jair Bolsonaro, fez mais uma defesa pública do ex-juiz e pré-candidato Sergio Moro, com quem busca aproximação desde o anúncio de sua chegada ao Podemos.

De acordo com artigo de opinião publicado no site My News nesta quinta-feira 18, Bolsonaro seria um ‘traidor’, ‘despreparado’ e ‘irresponsável’, tendo se transformado no ‘Hugo Chávez brasileiro’ por uma ‘indústria de fake news’.

Os ataques a Moro, segundo Santos Cruz, viriam de ‘extremistas da esquerda e da direita viciados em dinheiro público’. Ainda de acordo com o texto, o ex-juiz seria mais do que um ‘bom combatente da corrupção’, oferecendo um ‘projeto de país’, sem fornecer detalhes de qual seria as propostas do ex-ministro do governo.

“A entrada de Sergio Moro no cenário político acarretou a reação dos extremistas de direita e de esquerda e dos viciados em dinheiro público, espalhados por todo espectro político/ideológico, que têm medo do combate à corrupção”, diz Santos Cruz logo no início do artigo.

Em seguida, o general vai subindo o tom até chegar em Jair Bolsonaro, alvo principal das suas críticas no texto:

“Alguns extremistas reagem para continuar com acesso direto ao dinheiro público, o que atualmente é facilitado. Outros, para manter a impunidade ou por fanatismo”, escreve. “O presidente da República que aí está venceu uma eleição legítima e assumiu, trazendo consigo a esperança de realizações. […] No entanto, despreparado e irresponsável, traiu as expectativas, traiu os eleitores e traiu o que disse na campanha. É o símbolo da traição pessoal e institucional”, acrescenta.

Segundo o general, uma ‘prova da traição’ de Jair Bolsonaro seria o ‘não golpe’ após o 7 de Setembro.

“[Bolsonaro] Traiu o Brasil da mesma forma que, no dia 8 de setembro, traiu aqueles que acreditaram na fanfarronice alardeada no dia 7. Mais um descarado embuste político!”, destacou.

Ainda de acordo com Santos Cruz, “o presidente entregou os recursos públicos e a chave do cofre para comprar apoio e dificultar a responsabilização. Contentou-se em ficar só com o microfone, a moto, o jet sky e o avião para continuar o show”.

Para ele, os bolsonaristas acreditam em uma fantasia ‘orientados pela indústria das fake news’ organizada pelo governo. “Acreditam que o Hugo Chávez brasileiro é o ‘salvador da pátria’ contra o comunismo, algo que ele ouviu falar mas não sabe do que se trata”, critica o militar.

Por fim, o ex-ministro do governo passa a pregar contra a polarização até reafirmar o seu apoio a Sergio Moro em 2022.

“O Brasil não pode ficar entre o dilema de uma polarização que só vai trazer prejuízos para o país. Temos opções fora dessa polarização inútil e altamente prejudicial”, escreve. “Eu vou apoiar Sérgio Moro nesse projeto. Um projeto para melhorar a vida dos brasileiros através da união nacional.”

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Repórter do site de CartaCapital

Compartilhar postagem