Justiça
A disposição do Senado diante de Messias, a duas semanas de sua sabatina
PSD e MDB vão discutir se recebem o indicado de Lula; cenário é de resistência, prazo é curto e Planalto aposta em Rodrigo Pacheco para tentar quebrar o gelo
A corrida de Jorge Messias para tentar reverter a forte resistência no Senado ganhou contornos de missão de risco. Com a sabatina marcada para 10 de dezembro, o advogado-geral da União terá cerca de duas semanas para percorrer gabinetes, medir o humor das bancadas e tentar costurar os 41 votos necessários para chegar ao Supremo Tribunal Federal. O calendário, definido por Davi Alcolumbre (União-AP), reduziu a margem de ação do indicado e acentuou o mal-estar que já crescia entre congressistas desde a escolha feita pelo presidente Lula (PT).
Nos próximos dias, PSD e MDB, que somam juntos 25 senadores e são decisivos na disputa, devem se reunir para discutir a indicação e avaliar se há disposição de suas bancadas para receber Messias. As reuniões são tratadas nos partidos como termômetro inicial da temperatura: de um lado, o cálculo eleitoral de 2026 e o desgaste com um possível ministro do STF; de outro, o receio de consolidar um placar negativo que possa ampliar a crise entre Planalto e Congresso.
A tarefa de Messias é árdua. O indicado começou o tradicional périplo do “beija-mão” nesta semana, mas interlocutores lembram que visitar 81 senadores em tão pouco tempo é considerado muito difícil.
Há também a avaliação no Senado de que a irritação de parte das bancadas com investigações de emendas e restrições a pagamentos afeta diretamente o clima para a sucessão no Supremo.
O fator Alcolumbre também pesa. O presidente do Senado não apenas demonstrou contrariedade com a escolha – por ter visto sua preferência por Rodrigo Pacheco (PSD-MG) ser descartada – como também sinalizou distância. Não há expectativa de conversa entre Alcolumbre e Messias nos próximos dias. Para líderes partidários, o gesto de antecipar a data da sabatina, mesmo antes de o Planalto formalizar a mensagem ao Congresso, foi interpretado como uma forma de ampliar a pressão sobre o governo.
Diante da resistência, Lula pretende acionar Rodrigo Pacheco, preterido para a vaga, como peça central da estratégia. A expectativa no Planalto é que o ex-presidente da Casa funcione como uma espécie de “garoto-propaganda” da indicação, atuando na linha de frente para reduzir ruídos e evitar uma derrota de alto custo.
A aposta, porém, não garante que o cenário se torne favorável. Senadores ouvidos por CartaCapital apontam que, se a votação fosse hoje, Messias enfrentaria um placar apertado, talvez insuficiente para a aprovação. E, com a janela reduzida imposta pelo calendário, o indicado chega à etapa decisiva da articulação sob a sombra de um Senado disposto a testar sua capacidade de diálogo e, sobretudo, a disposição do próprio governo em reconstruí-lo.
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