Um ano após 1ª morte por Covid, OMS é finalmente esperada na China

Vítima era um homem de 61 anos que costumava ir ao mercado Huanan, onde o vírus se disseminou

Cidade de  Wuhan,  berço da pandemia do coronavírus. Foto: AFP

Cidade de Wuhan, berço da pandemia do coronavírus. Foto: AFP

Mundo

Os muito aguardados especialistas da OMS encarregados de investigar a origem do novo coronavírus finalmente chegarão à China esta semana – anunciou Pequim nesta segunda-feira 11, um ano após o relato da primeira morte pela doença no país.

A visita desses dez especialistas da Organização Mundial da Saúde é sensível para o regime chinês, ansioso por evitar qualquer responsabilidade pela pandemia que já matou mais de 1,9 milhão de pessoas em todo mundo. Hoje, a doença está praticamente erradicada na China.

Em nota, o Ministério chinês da Saúde anunciou que a visita dos especialistas começará na quinta-feira 14, uma semana após o adiamento da viagem prevista para quarta-feira passada.

Na ocasião, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, deixou transparecer sua irritação com Pequim, dizendo estar “muito decepcionado” com o adiamento.

Desta vez, ele saudou o anúncio de Pequim no Twitter. “Estamos ansiosos por trabalhar com nossos colegas (chineses) nesta missão crucial para identificar a origem do vírus e sua rota de transmissão para a população humana”, escreveu.

 

 

Nos últimos meses, o governo chinês reagiu muito mal aos pedidos de uma investigação independente, em particular aplicando sanções comerciais à Austrália, que insistia nesse sentido.

Pequim não deu detalhes sobre como será a visita, mas os investigadores deverão ficar em quarentena assim que desembarcarem em solo chinês. A missão deverá durar entre cinco e seis semanas.

O objetivo é determinar como o vírus foi capaz de sofrer mutação para passar de morcegos para humanos. O prazo imposto pela China para aceitar uma investigação independente significa, no entanto, que os primeiros traços da doença serão difíceis de encontrar.

A missão é formada por dez cientistas (Dinamarca, Reino Unido, Holanda, Austrália, Rússia, Vietnã, Alemanha, Estados Unidos, Catar e Japão) reconhecidos em suas diferentes áreas de atuação. Eles devem ir para Wuhan, a primeira cidade do mundo a ser colocada em quarentena em 23 de janeiro de 2020.

 

Vítima sem nome

Foi nesta mesma cidade que a morte da primeira vítima por Covid-19 foi anunciada há um ano, em 11 de janeiro de 2020.

Em Wuhan, como em outras partes da China, a pandemia está amplamente sob controle, e o número nacional de mortos permanece oficialmente em 4.634 desde meados de maio.

Nesta segunda-feira, os habitantes da metrópole do centro do país conduziam normalmente suas atividades, enquanto os meios de comunicação do regime comunista se calaram a respeito deste primeiro aniversário.

“Wuhan é a cidade mais segura da China e até do mundo agora”, gabou-se Xiong Liansheng, de 60 anos, em um parque onde aposentados dançavam, ou faziam seus exercícios matinais, alguns com máscaras faciais.

A China foi criticada por sua resposta inicial à epidemia. Médicos em Wuhan que mencionaram a existência do vírus foram acusados pela polícia de espalhar boatos. Uma “jornalista cidadã” que cobria a quarentena em Wuhan foi condenada no final de dezembro a quatro anos de prisão.

Até mesmo o nome da primeira vítima conhecida da Covid nunca foi divulgado. Sabe-se apenas que era um homem de 61 anos que costumava ir ao mercado Huanan para fazer suas compras.

 

Em foto do dia 12 de janeiro de 2020, uma mulher passa em frente ao mercado de Huanan que é apontado como primeiro local em que o coronavírus se disseminou. (Foto: Noel Celis / AFP)

 

Considerado o primeiro grande foco da epidemia, esse mercado foi fechado em 1º de janeiro de 2020. Ali eram comercializados animais silvestres vivos, considerados possíveis transmissores do vírus ao homem.

Nesta segunda, o mercado permaneceu fechado atrás de uma longa cerca. O governo chinês não permitiu que especialistas independentes investigassem o local.

Mais ao norte, o país tem enfrentado um ressurgimento limitado da epidemia em Hebei, a província que circunda Pequim. Cerca de 100 casos de contágio foram anunciados na região nas últimas 24 horas, o maior número nacional desde julho.

Dezoito milhões de habitantes de duas grandes aglomerações estão proibidos de sair dos limites de sua municipalidade. E, nesta segunda-feira, meio milhão de habitantes de um distrito rural de Pequim foram submetidos a uma medida semelhante: estão confinados em suas aldeias.

 

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