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Trump cita Brasil como mau exemplo de combate à pandemia

‘Se tivéssemos agido assim, teríamos perdido 2,5 milhões de vidas ou até mais’, afirmou o presidente dos Estados Unidos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: SAUL LOEB/AFP
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: SAUL LOEB/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, citou o Brasil como mau exemplo de condução da crise do coronavírus. Em discurso nesta sexta-feira 5, o chefe da Casa Branca afirmou que os Estados Unidos teriam apresentado maior número de mortes se tivesse seguido o exemplo dos brasileiros e dos suecos.

“Se você olhar para o Brasil, eles estão passando por dificuldades. A propósito, eles estão seguindo o exemplo da Suécia, que também está passando por dificuldades terríveis. Se tivéssemos agido assim, teríamos perdido 1 milhão, 1,5 milhão, talvez 2,5 milhões de vidas ou até mais”, afirmou Trump.

Durante discurso no jardim da Casa Branca, Trump afirmou que é necessário acelerar a reabertura da economia nos Estados Unidos e defendeu que a estratégia agora seja a proteção de grupos de risco. Segundo ele, pelo menos 1 milhão de vidas foram salvas após a decisão de seu governo em fechar o país.

No entanto, os Estados Unidos ainda lideram os rankings de mortes e de casos confirmados de covid-19. Segundo a Universidade Johns Hopkins, o país tem mais de 108 mil mortos, seguido do Reino Unido (40,3 mil) e Brasil (34 mil). Em relação às infecções, o país norte-americano tem mais de 1,8 mil contaminados, à frente do Brasil, com mais de 614 mil contágios.

Em 29 de maio, Trump anunciou o rompimento com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e acusou a entidade de ser muito tolerante com a China em relação à pandemia.

A aliança gratuita do presidente Jair Bolsonaro a Trump não impede o chefe da Casa Branca de usar o mau exemplo do governo brasileiro para defender os seus índices, também preocupantes. Bolsonaro segue em campanha aberta contra o isolamento social e já foi alertado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sobre falta de espaço em cemitérios para enterrar as vítimas de covid-19.

No caso da Suécia, o governo também foi na contramão dos vizinhos nórdicos e manteve um ritmo quase normal em suas atividades, sem impor o confinamento generalizado como boa parte do mundo. Com o aumento disparado nos números de mortes e de casos, a Suécia decidiu abrir uma comissão de investigação para analisar a gestão da crise sanitária no país.

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