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Exemplo para Bolsonaro, Suécia vai abrir “CPI da Covid-19” para investigar falta de isolamento

Sem alerta de isolamento por parte do governo, país de 10,3 milhões de habitantes registra cerca de 4.300 mortos e mais de 36 mil casos

(Foto: Henrik MONTGOMERY / TT News Agency / AFP)
(Foto: Henrik MONTGOMERY / TT News Agency / AFP)

Desde o início da pandemia do novo coronavírus, a Suécia tem ido na contramão de seus vizinhos. O país escandinavo preferiu manter um ritmo quase normal em suas atividades e não impôs o confinamento generalizado, como fez boa parte do mundo. Mas, diante do aumento recente no número de contaminações e da pressão política, o primeiro-ministro sueco, Stefan Löfven, decidiu lançar uma Comissão de Investigação ainda neste semestre.

A estratégia da Suécia na luta contra a Covid-19 é cada vez menos defendida no país. Se no início a população aderiu rapidamente à estratégia do governo, que adotou uma das políticas menos severas da Europa no combate à pandemia, nas últimas semanas, os suecos têm começado a protestar, inclusive com manifestações nas ruas.

O número de vítimas disparou e o país de 10,3 milhões de habitantes registra cerca de 4.300 mortos e mais de 36 mil contaminações confirmadas. Com 430 mortos para cada grupo de um milhão de pessoas, a Suécia tem uma taxa de mortalidade muito superior aos vizinhos, que praticaram uma política de isolamento mais rígida. A Noruega em 43 vítimas fatais por milhão de habitantes, a Dinamarca 98, a Finlância 56 e a Islândia 29.

Escolas primárias continuaram funcionando

Uma das causas dessa alta mortalidade e da propagação acelerada do vírus poderia estar ligada ao não confinamento oficial da população. Enquanto os demais europeus tentavam se isolar, na Suécia, as ruas continuaram cheias, cafés e restaurantes permaneceram abertos e mesmo se os adolescentes passaram a ter aulas a distância, as escolas primárias continuaram funcionando desde o início da pandemia.

A inércia das autoridades diante da demora de atendimento nas casas de repouso para idosos também é criticada. Muitos velhinhos morreram antes mesmo de dar entrada nos hospitais e hoje eles representam a maioria das vítimas fatais da Covid-19 no país.

Diante da situação, os principais partidos políticos do país se mobilizaram e pediram a criação de uma comissão de investigação. Em um primeiro momento, o chefe do governo cogitou lançar o processo apenas no final da pandemia para, segundo ele, não interferir na urgência do combate ao vírus. Mas o premiê socialdemocrata Stefan Löfven acabou cedendo à pressão política e disse que ainda no meio deste ano vai começar a analisar a gestão da crise sanitária no país.

“Vários partidos estão de acordo para que essa comissão seja constituída o mais rápido possível, sem esperar o fim da crise”, declarou Ulf Kristersson, chefe do partido conservador Moderados, que se uniu à legenda populista Democratas da Suécia para pressionar o governo.

Essa “CPI da Covid” deve se concentrar análise dos esforços econômicos feitos pelas autoridades para combater a pandemia. Além da questão do isolamento, os críticos do governo contestam as razões burocráticas que impediram a realização de testes em massa na população.

No final de maio, 30 mil testes por semana estavam sendo realizados na Suécia, quando o país teria capacidade para testar até 100 mil pessoas por semana.

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